Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

OS NAMORADOS (Gonzaga Leão)


Primeiro eu os vi na praça
mas havia tantos pombos
que quando os vi se beijando
pensei que a praça arrulhava.

Depois eu os vi na praia
e porque um mar havia
eu não sei se eles se amavam
ou era o mar que gemia.

E os vi em outros lugares
em templos becos e bares
até que aconteceu

que mais do que os namorados
anoite sentiu-se grávida
e ai a manhã nasceu.

*Tijolo sobre tijolo/palavra sobre palavra 
(Imprensa oficial Graciliano Ramos 2012 - pg 59) 



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