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14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

NATAL DE UM PÁRIA (Pedro Onofre)

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- Mamãe, papai Noel é mesmo um bom velhinho? Se ele em verdade existe, assim como é falado, por que não se lembrou de mim, esse enjeitado que pra calçar não tem sequer um sapatinho? E aquela pobre mãe, cabelo em desalinho, o olhar busca esconder, tristonho e marejado do pranto que verteu. Encara com cuidado o filho, preocupada em demonstrar carinho. Tenta expulsar do rosto essa expressão sombria e num sussurro diz ao filho de repente: - Se acaso ele existisse, o que lhe pediria? E a criança ao responder-lhe, incrédula sorri. - Queria que me desse, mãe, como presente. na Noite de Natal, o pai que nunca vi. Este soneto consta do livro “Poesias completas de Pedro Onofre”, lançado dia 22 de dezembro. *Veja mais do autor aqui: