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Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

A Bola (Luís Fernando Veríssimo)

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O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “ legal! “. Ou os que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa. - Como é que liga?- Perguntou. - Como, como é que liga? Não se liga. O garoto procurou dentro do papel de embrulho. - Não tem nenhuma instrução? O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos decididamente outros. - Não precisa manual de instrução. - O que é que ela faz? - Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela. - O que? - Controla, chuta... - Ah, então é uma bola? - Claro que é uma bola. - Uma bola, bola. Uma bola mesmo. - Você pensou que fosse o quê? - Nada, não. O garotinho agradeceu,...

Desatino (Madalena Sofia Galvão Viana)

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E era noite. O vento entrava de janela adentro e enchia o quarto com um quê de frieza, estranheza. De fato tudo parecia diferente, o vazio se espalhara pelo cômodo e pelo jeito não tinha pretensões de ir embora nem tão cedo, pelo menos até a noite ir primeiro.                     O ruído dos automóveis lá em embaixo era distante, quase que um zumbido. Nem parecia ser na mesma cidade, na mesma hora. Estava separada do zum zum da rua por cinco andares.                 Já passara a hora do ângelus e o friozinho que entrava anunciava uma noite tenebrosa. Do cinzeiro a fumaça do cigarro perdia força. A qualquer momento a porta iria abrir e ela precisava de uma explicação. Os pensamentos se aglutinavam em sua cabeça e pareciam se perderem em meio a um turbilhão de dúvidas.