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Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coraçãoDescalça e sem roupa como num salãoTão bela e tão doce, mulher sem limitesQuem dera que fosse... E assim exististesDançando ao ritmo de minha pulsação.Não cabes em rótulos, por que caberias?Palavras ou versos, talvez te seduza...Então, só então, tu abras tua blusaE ardente, insana, tu permitiriasVolúpias intensas de terna paixão.Porque minha pele não te resistiriaEs bela não nego, sou tão negligenteForas apenas bela, mas és inteligenteNão encontro virtude que assim a alcanceMelhor te amar, assim de relanceSem ilusões, sem juras de amorRomance de flor, sem dor sem espinhoCaindo as pétalas, restará: odor e carinhoAssim em meu sonho, te possuo inteiraTe amando pleno, não de qualquer maneira.
Copyright © 2020 by Emanuel Galvão
All rights reserved.

*Foto by: Ana Cruz

Toda Matéria (Mírian Monte)

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Foto by: Maria Thereza Monte Borges de Souza
Pode a morte ser como as velas
Navegando o Mucuripe
Da canção que ora é festa
Com refrão que sempre é triste
Ou a flor da moça bela
Arremessada do arrecife
Para flutuar nas ondas
Com a fé que ainda existe

Pode a morte ser o gozo
Ou o beijo dos amantes
Pode a morte ser desgosto
De lembrar como era antes
Pode a morte ser o sonho
Que não se realizou
Pode ser o desconforto
Do medo e do desamor

Sinto a morte percorrendo
Minhas veias e artérias
E por isso tenho pressa
De viver toda matéria
E até que eu pereça
Provarei cada sabor
E quem sabe aconteça
O que dizem ser amor

Harmonia (Marla de Queiroz)

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São delicados e sutis os fios da harmonia. Ao contrário da alegria, do entusiasmo, ela é uma das sensações mais discretas. Sua voz é quase imperceptível, feito outra qualidade de silêncio. Ela não é uma gargalhada, é aquele sorriso por dentro, uma sensação gostosa de estar no lugar certo, na hora adequada. Feito um arco-íris depois da tempestade, sua beleza é adornada pelo equilíbrio dentro do derramamento. É um adestramento dos fantasmas internos. A possibilidade de aprimorar os pensamentos. É quase como não pensar. Simplesmente, sentimos uma ligação profunda com tudo, um denso bem-estar. Como se tivéssemos uma secreta intimidade com o mundo, certa cumplicidade com o tempo. É como se observássemos descompromissados, ela é uma descontração. Como se o coração batesse pelo corpo todo, mas sem extremada euforia. Uma tranqüilidade dilatada no peito, o olhar satisfeito, a mente entendendo que já nem precisa entender o que é prosa ou poesia. E o mundo inteiro cabendo num abraço. E uma firm…

Não Há Elogio Maior Que o Desejo (Felipe Machado)

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Não há elogio maior do que desejar alguém. Há adjetivos que podem simular o desejo, há qualidades que podem ser destacadas em uma frase simpática ou sensual inserida no meio do diálogo rotineiro. Mas o desejo, mesmo, aquele que move montanhas e inspira loucuras, esse só se diz com o com os olhos. Ou com o corpo.

(Não é à toa que em inglês ‘desire’ (desejo) rima com fire (fogo), assim como não é à toa que em português rima com ‘beijo’…)

A Wikipedia define desejo como “uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação”. Mas é sério que alguém acha que é possível expressar o desejo em palavras? Eu seria mais pragmático. Desejo é querer muito, muito, muito… alguém.

Há muitas maneiras de encarar o desejo. Há o desejo material, aquele que busca satisfazer nossas necessidades consumistas. Há o desejo espiritual, a vontade de encontrar um equilíbrio utópico entre as forças que regem a existência. Há o desejo por justiça – ou vingança -, que su…

Elogio ao Desejo (Emanuel Galvão)

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A ansiedade toma conta do meu corpo... Espero que teus ditos machuquem minha alma ou provoque gozo. Não entendo a demora das palavras... Mas, acredito que ao ler-me... pretensiosamente teu membro responda, e o sêmen seja a tinta das tuas letras e apresente em mim  um desejo incontrolável de comer tuas frases  e de vê-lo.                                                 (S.L.)
A tua nudez me fascina,  E ao ver-te nua de forma tão traquina,
Lanço fora as vestes de minha timidez,
Para escrever com lábios em tua linda tez.

A lascívia, assim como o desejo
Não convêm aos sábios...
Prova então da língua, cheia de desejo,
Louca e sem palavras, nos teus grandes
E pequenos lábios.

Quase sinto o gosto do verbo em carne viva
Pois que paixão tentadora, voraz e tão lasciva
Não tem que ter senso, tampouco pejo,
Entrego então meu corpo, todo ao teu desejo.

Ao ver-te nua... Visão do paraíso...
Não sei se faço verso, trovo, improviso
Eu, no entanto, emudeço, calo
Não sei o que digo... No entanto o falo...
Ergue-se …