Luzes Matinais (Italmar Lamenha de Albertim)



Vai a noite se escondendo pouco a pouco,
Mas, deixando seu orvalho em cada flor,
Em cada pétala imortal de toda cor,
Que me tortura de saudade e deixa louco.

Timidamente vem o sol e se apresenta,
Cativando quem dispõe-se a conhecê-lo,
Seu calor energizante é todo zelo,
E já amigo, ao fim do dia se ausenta.

É assim com as pessoas que amamos,
Quando a morte atroz nos priva do convívio;
Seguem as flores que despencam dos seus ramos,

Subitamente, como em busca de um alívio;
Não mais partilham o mesmo ar que respiramos,

Porém, são luzes matinais por quem oramos.


Copyright © 2017 by Italmar Lamenha de Albertim
All rights reserved.

José Ferreira Galvão Neto e Emanuel Galvão















'A Pessoa Mais Importante Para Mim' (Marla de Queiroz)



Um dia ouvi que eu era a pessoa mais importante para alguém. Na época, aquilo era essencial para mim: ser promovida pela reciprocidade. E o tempo, imperador dos destinos todos, desgastou os mármores, mas manteve intacto aquele amor: ele sobreviveu à relação finda. E eu perdera o meu alto cargo de importância para aquele alguém. Convalescente, mas em recuperação da suposta infelicidade de um ego magoado, tive que descobrir outra forma de amor: uma espécie rara que dá perenidade ao bem-estar e põe o ego em seu lugar. Eu me tornei a pessoa mais importante para mim. Quem poderia me tomar isto? O tempo? Hoje, as pessoas vão e vêm. Recebo-as, rejeito-as, tolero ou amo. A poesia não me tira os sentimentos vis, nem as doçuras de um ser humano. Um dia me chamaram de radical. Aceitei: só eu sei a importância que as coisas têm para mim e o propósito de mantê-las ou não na minha vida. Em outra ocasião, me chamaram de amorosa. Compreendi: pessoas amoráveis extraem o que tenho de melhor. Já me disseram que pareço um personagem. Entendi: sendo povoada por tantas, quão imprevisível posso ser na liberdade que me permito ter. Não me importo com o que julgam, sempre serei espelho e sempre terei o Outro como meu espelho. Somos extensão. Estejamos ou não em harmonia ou comunhão, dedico carinhosamente o meu tempo compartilhando minha nudez. Aos que veem máscaras e vestes, sou impotente a estas leituras. Aos que veem generosidade e amparo, sou impotente à beleza que me dão. Sou impotente ao olhar alheio. Não tenho o controle de absolutamente nada, mas o meu trabalho consiste em eu não me rejeitar.
Diariamente eu fortaleço minha autoestima assim: 
Hoje, nem que seja apenas hoje, eu sou a pessoa mais importante para mim.
Que assim eu esteja.

Que assim seja.

Acordo Cordel (Emanuel Galvão)




Se não podes julgar-me com equidade
Se pensas que nasci com a maldade
Negando-me teus braços ou tuas praças
Se o que tens para mim são ameaças
Se só sabes apontar-me o meu mal
Reduzindo a maior idade penal
Dezesseis, quinze, talvez dez
-O melhor não seria a educação?
Se não pode socorrer-me com tuas mãos
Por favor não me pise com teus pés!

Se erguer minha voz é mimimi
É porque não estás disposto a ouvir
Nosso grito abafado e secular
E a teu ponto de vista macular
Essa mãe, essa filha, irmã, amiga
“Que por vezes fala, mas não briga”
 Nossa voz é medida em decibéis?
-“As mulheres a honrosa submissão”!
Se não podes socorrer-me com tuas mãos
Por favor não me pise com teus pés!

Tu discutes, da minha pele o tom
Se é preta, parda ou marrom
E o mais claro é claro te apetece
Não discutes, claro, o que acontece
Do velado, costumeiro preconceito
Que coloca na cor da pele o defeito
E a rica discursão, num plano rés
-Eu sou de negra pigmentação!
Se não podes socorrer-me com tuas mãos
Por favor não me pise com teus pés!

Eu não vim a esse mundo fazer gênero
Mas não sou moldado ou cisgênero
Sou o que sou e o ser que sinto
Sinto muito ter de ser sucinto
Mas a vida tem nos sido breve
Não contempla ou não descreve
A complexa razão desse viés
-Ser diferente não é uma opção!
Se não podes socorrer-me com tuas mãos
Por favor não me pise com teus pés!

Veja se você não é um inocente útil
Que repete um discurso vil e fútil
Nas escolas, nas esquinas, na política
Melhor ter uma opinião analítica
Onde o amor, a justiça e a ética
Façam parte dessa dialética
Revelando de fato quem tú és
- Diante do humano, a compaixão!
Se não podes socorrer-me com tuas mãos
Por favor não me pise com teus pés!

Copyright © 2017 by Emanuel Galvão
All rights reserved.

SEDUÇÃO DO OLHAR (Socorro Monteiro)


São somente roupas penduradas!
Meu olhar, assim foi seduzido por esta fotografia;
Sem perceber, convenceu a minha mente a tornar-se linha.
 E foi tecendo delicadamente ...
O volume do teu corpo forte e vivo a se movimentar dentro da roupa;
O brilho dos teus cabelos quase molhados após o banho;
O Teu Rosto firme de expressão muito séria;
A delicadeza do teu olhar expresso nas imagens que crias.
Aos poucos, a linha da minha mente foi tecendo o homem da roupa...
A tua pele foi se formando com a maciez de seda da Pérsia;
A superfície geográfica do teu corpo foi tecida em cor e luz;
Com delicadeza imensa, nasceu um quase sorriso;
Como num toque de mágica, deu-se forma ao teu calor;
Costurando lentamente, pois carícia em tuas mãos;
Espalhou por toda roupa, o perfume do teu corpo;
Sonorizou ao meu ouvido, a tua respiração;
Com linha bem transparente, deu pulsar ao coração;
E a pele excitada deu vida a emoção.
E foi assim que minhas agulhas da mente te vestiram nessas roupas;
Com a formatação viva da minha imaginação.
Simples roupas penduradas! Perigo de sedução!     

Copyright © 2017 by Socorro Monteiro
All rights reserved.
                    


Tributo à mulher (Cícero Manoel)



                                             
Mulher eu te enalteço
Pela tua valentia,
Pela tua inteligência,
Pela tua maestria,
Por todos os teus conceitos
Na luta por teus direitos
Que cresce a cada dia.

Mulher tu és corajosa,
Mereces muito respeito,
Nunca deixes de lutar,
Lute, pois é teu direito.
És uma grande guerreira,
Mulher a tua bandeira
Eu boto em cima do peito.

O homem é teu dependente,
Sem ti ele não é nada.
És rainha da beleza,
És uma flor delicada.
A criação mais formosa
A joia mais preciosa
A deusa mais venerada.

Pra governar o mundo
Mulher, tu tens vocação,
Governas melhor que o homem
Em qualquer repartição,
Nos milagres do poder
Somente tu podes ser
Nossa grande salvação.

Tu tens bastante talento,
Tudo tens imenso valor,
Na terra tu és o ser
Que inspira mais amor.
Da luta nunca desista
Nesse mundo tão machista
Tu não és inferior.

O homem não é teu dono,
Tenho pena dos teus ais,
Os massacres contra ti
Já foram longe de mais.
Tu não podes ser usada,
Nem tão pouco rebaixada,
Os direitos são iguais.

Tu não és um objeto
Para alguém usar e jogar,
Sem ti a humanidade
No tempo iria parar,
O teu pensar é profundo
Mulher, esse velho mundo,
Ainda vais dominar!

Tu encantas o planeta
Com todo o teu mister,
Tens direito de fazer
Aquilo que convier,
Em meio à paz e a guerra
O que seria da terra
Sem tu, oh bela mulher?!

Sítio Ilha Grande / Santana do Mundaú – AL / 6 de março de 2017

(Todos os direitos reservados)

Serra da Barriga (Emanuel Galvão)



Zumbi do alto da serra da barriga
Não se entregou, nem se atirou.
Zumbi foi traído e degolado
E o foi, para ficar calado,
Mas seu ideal não calou.
Palmares não foi lenda
Palmares foi realidade.
Palmares não foi apenas berço
Mesmo que o preto ou o branco
Não compreendam
Sua luta para além da eternidade.
Palmares não foi apenas berço,
Palmares foi ama de leite,
Foi colo e barriga,
Serra que ainda hoje abriga
Sonhos de liberdade!

*Do livro Elogio ao Desejo & Outras Palavras (página 101)

Copyright © 2015 by Emanuel Galvão
All rights reserved.

*Foto Genisete Lucena Sarmento

Curta A Nossa Fanpage

Novo Livro

Novo Livro
Você pode compra-lo ligando para (82) 99653-4849

Desfrute, leia, curta e compartilhe boa leitura. Volte sempre!

O que está procurando?

Muito grato pela sua visita. Visita de Nº




Instagram

Recent In Internet

Poesia em seu Smartphone ou Iphone

Poesia em seu Smartphone ou Iphone
use seu leitor de Qr Code

Receba Novidades

RECEBA GRATUITAMENTE NOVIDADES DO BLOG!

Coloque seu e-mail abaixo:

Poesia Galvaneana