Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Invenção de Orfeu [Reino Mineral] (Jorge de Lima)

 

Sal-Gema extraído pela Braskem "mina 18"

REINO MINERAL


Quem te fez assim soturno

quieto reino mineral,

escondido chão noturno?


Que bico rói o teu mal?

Quem antes dos sete dias

te argamassou em seu gral?


Quem te apontou pra onde irias?

Quem te confiou morte e guerra?

Quem te deu ouro e agonias?


Quem em teu seio de terra

infundiu a destruição?

Quem com lavas em ti berra?


Quem te fez do céu o chão

Quieto reino mineral?

Quem te pôs tão taciturno?


Que gênio fez por seu turno

antes do mundo nascer:

a criação do metal,

a danação do poder?


          Invenção de Orfeu, Canto Primeiro, XI

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