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14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Conheço o Meu Lugar (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes)

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(*) O que é que pode fazer o homem comum neste presente instante senão sangrar? Tentar inaugurar a vida comovida, inteiramente livre e triunfante? O que é que eu posso fazer com a minha juventude quando a máxima saúde hoje é pretender usar a voz? O que é que eu posso fazer um simples cantador das coisas do porão? Deus fez os cães da rua pra morder vocês que sob a luz da lua, os tratam como gente - é claro! - a pontapés. Era uma vez um homem e seu tempo... (Botas de sangue nas roupas de Lorca). Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa! Fique você com a mente positiva que eu quero a voz ativa (ela é que é uma boa!) pois sou uma pessoa. Esta é minha canoa: eu nela embarco. Eu sou pessoa! (A palavra "pessoa" hoje não soa bem - pouco me importa!) Não! Você não me impediu de ser feliz! Nunca jamais bateu a porta em meu nariz! Ninguém é gente!

CORAÇÃO SELVAGEM (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes)

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Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar Tempo para ouvir o rádio no carro Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem Tem essa pressa de viver Meu bem, mas quando a vida nos violentar Pediremos ao bom Deus que nos ajude Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil; Meu coração é como vidro, como um beijo de novela" Meu bem, talvez você possa compreender a

NÃO LEVE FLORES (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes)

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Não cante vitória muito cedo, não. Nem leve flores para a cova do inimigo, que as lágrimas do jovem são fortes como um segredo: podem fazer renascer um mal antigo. Tudo poderia ter mudado, sim, pelo trabalho que fizemos - tu e eu. Mas o dinheiro é cruel e um vento forte levou os amigos para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos, e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não. Palavra e som são meus caminhos pra ser livre, e eu sigo, sim. Faço o destino com o suor de minha mão. Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza. - Sempre é dia de ironia no meu coração. Tenho falado à minha garota: - Meu bem, é difícil saber o que acontecerá. Mas eu agradeço ao tempo. o inimigo eu já conheço. Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço. A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá. *ouça a música