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Mostrando postagens de Maio, 2015

14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Receita Para Lavar Palavra Suja (Viviane Mosé)

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 "Eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí.... É que eu tenho medo que as pessoas desequilibrem de si, que elas caiam delas mesmas quando eu disser. Eu descobri que a palavra não sabe o que diz.. A palavra delíra, a palavra diz qualquer coisa. A verdade é que a palavra nela mesma, em si própria não diz nada. Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve. Quando existe acordo existe comunicação. Quando esse acordo se quebra ninguém diz mais nada, mesmo usando as mesmas palavras....A palavra é uma roupa que a gente veste. Uns usam palavras curtas, outros usam roupas em excesso...existem os que jogam palavras fora, pior são os que usam em desalinho, uns usam palavras caras, outros ostentam palavras raras, tem quem nunca troca, tem quem usa dos outros. A maioria não sabe o que veste. Alguns sabem mas fingem que não, e tem quem nunca usa a roupa certa para a ocasião, tem os que se ajeitam bem com poucas peças, outros se enrolam em vocabulár

'Uma Prece Orvalhada de Saudade' (Antônio Manoel Sá Cavalcanti)

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Por minha mãe uma prece orvalhada de saudade mesclada de gratidão, prece de ação de graças do fundo do coração. Por minha mãe uma prece cheia de santas lembranças, das cantigas de ninar, das rezas ensinadas, das estórias engraçadas das milagrosas meizinhas que me curavam e me davam nova vida. Por minha mãe uma prece com as palavras que vem da alma, e que como uma brisa me acalma e alimenta a esperança. Esperança que traz a certeza de um dia num reencontro, sentarmos a mesma mesa e fazermos uma refeição, quem sabe cantarmos uma canção e sorrindo como outrora, no alvorecer de nova aurora iniciarmos uma nova e eterna história. Antonietta sua prece quando nos despedíamos : " Vai meu filho, Deus na frente a Paz na guia, vai com Deus e a Virgem Maria!" E eu só dizia AMÉM!