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Das Vantagens de Ser Bobo (Clarice Lispector)

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  O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado, quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea o

RITUAL (Valmir Pimentel Amaral)

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Quando o amor vier, quero estar preparado, orgulhoso pela condição de ser um mortal. Vestir-me da minha nudez.  Imaculado corpo humano, provido do bem e mal.

O ÚLTIMO AMAR (Valmir Pimentel Amaral)

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Amanhã, virás aqui, solícita, pedindo-me a minha mão para ajudar-te nos intentos que te fazem mais mulher e, a mim, mais homem. Sou eu a tua lâmpada, o perfeito gênio que te satisfaz nas horas mais frementes.