Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Caetano Emanuel Viana Teles Veloso

Das Vantagens de Ser Bobo (Clarice Lispector)

Imagem
  O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado, quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea o

Tá Combinado (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso)

Imagem
Então tá combinado, é quase nada  É tudo somente sexo e amizade Não tem nenhum engano nem mistério É tudo só brincadeira e verdade Podemos ver o mundo juntos Sermos dois e sermos muitos Nos sabermos sós sem estarmos sós Abrirmos a cabeça Para que afinal floresça O mais que humano em nós Então tá tudo dito e é tão bonito E eu acredito num claro futuro De música, ternura e aventura Pro equilibrista em cima do muro Mas e se o amor pra nós chegar De nós, de algum lugar Com todo o seu tenebroso esplendor? Mas e se o amor já está Se há muito tempo que chegou E só nos enganou? Então não fale nada, apague a estrada Que seu caminhar já desenhou Porque toda razão, toda palavra Vale nada quando chega o amor

Podres Poderes (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso)

Imagem
Enquanto os homens exercem Seus podres poderes Motos e fuscas avançam Os sinais vermelhos E perdem os verdes Somos uns boçais Queria querer gritar Setecentas mil vezes Como são lindos Como são lindos os burgueses E os japoneses Mas tudo é muito mais Será que nunca faremos senão confirmar A incompetência da América católica Que sempre precisará de ridículos tiranos Será, será, que será? Que será, que será? Será que esta minha estúpida retórica Terá que soar, terá que se ouvir Por mais zil anos Enquanto os homens exercem Seus podres poderes Índios e padres e bichas Negros e mulheres E adolescentes Fazem o carnaval Queria querer cantar afinado com eles Silenciar em respeito ao seu transe num êxtase Ser indecente Mas tudo é muito mau Ou então cada paisano e cada capataz Com sua burrice fará jorrar sangue demais Nos pantanais, nas cidades Caatingas e nos gerais Será que apenas os hermetismos pascoais E

Mãe (Caetano Veloso)

Imagem
Palavras, calas, nada fiz Estou tão infeliz Falasses, desses, visses não Imensa solidão Eu sou um Rei que não tem fim Que brilhas dentro aqui Guitarras, salas, vento, chão Que dor no coração Cidades, mares, povo, rio Ninguém me tem amor Guitarra, salas, colos, ninhos Um pouco de calor Eu sou um homem tão sozinho Mas brilhas no que sou E o teu caminho e o meu caminho É um nem vais nem vou Meninos, ondas, becos, mãe E só porque não estais És para mim que nada mais Na boca das manhãs Sou triste, quase um bicho triste E brilhas mesmo assim Eu canto, grito, corro, rio E nunca chego a ti *Ouça a música. Click  AQUI "Passei o dia e a noite pensando em minha mãe. O dia de Natal passou a ser também o dia em que ela morreu. Nunca imaginei que fosse achar tão difícil aceitar que ela tenha morrido. Era uma grande alegria tê-la viva. Claro que alegra também saber que ela viveu bonito por tanto tempo e morreu bonito num 25 de dezembro. Ma

MÃE (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso)

Imagem
Palavras, calas, nada fiz Estou tão infeliz Falasses, desses, visse não Imensa solidão

O QUERERES (Caetano Veloso)

Imagem
Onde queres revólver, sou coqueiro E onde queres dinheiro, sou paixão Onde queres descanso, sou desejo E onde sou só desejo, queres não E onde não queres nada, nada falta E onde voas bem alto, eu sou o chão E onde pisas o chão, minha alma salta E ganha liberdade na amplidão