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Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

3ª Contingência Amorosa (Arriete Vilela)

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Quero-te assim: á distância. Para dizer-me de ti, suavemente. Ou negar-te, quando tua lembrança doer nas pitangueiras da minha infância, pois insistes em colher os frutos antes da estação. Quero-te assim: sem notícias. Para que meu riso não te acolha nem flagres em mim a alegria de grande circo que, uma noite, vivi no teu corpo. Quero-te assim: à deriva. Para que, ao te buscar, o meu desejo navegue à toa, naufragando aqui e acolá, pois tua pele não tem porto, nem cais, nem âncora.

Poema 50 (Arriete Vilela)

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Esfiapo-me assim em palavras para que não me ardas na pele crestada: sob o sol e ao relento tenho buscado as migalhas de afeto com que vais marcando o caminho – pistas que farejo na solidão. também esfiapo o meu olhar e me lanço à proa dos barcos que atravessam a lagoa ao entardecer: carregam no casco despintado a rudeza dos meus afagos para que não se extinga no meu peito o voo intuitivo dos vaga-lumes. Esfiapo-me assim em versos para que me celebres no anonimato da tua vida.