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14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Um surdo manifesto: DA ALMA ENCANTADORA DAS RUAS AOS MOLEQUES ACOSTUMADOS COM SUCRILHOS NO PRATO - ou dos textos que poucos leem e muitos fingem não entender - (Juliano Beck)

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“Qual de vós já passou a noite em claro  ouvindo o segredo de cada rua?  Qual de vós já sentiu o mistério, o sono,  o vício, as ideias de cada bairro?  A alma da rua só é inteiramente sensível  a horas tardias." (João do Rio)  Os usos que se faz da rua divergem. Ao pobre a rua é uma extensão de si. Lhe invade o peito a brisa matutina quando ao labor se encaminha de bicicleta. Lhe toma por inteiro o cheiro virulento das povoadas horas do terminal meio-dia. Lhe afaga quando o fim de tarde lhe cai sob o dorso trazendo os matizes que não se dão por vencidos frente à inevitabilidade gris que a tudo concretiza. Há nisso uma noção de pertencimento, orgulhoso pertencimento. Tudo lhe foi tirado, arrancado, mas ele dispõe da rua! Por ela anda vagarosamente sentindo as entranhas de cada esquina. É dela que tira o seu sustento. Nela também se põe a ruminar a vida. E sorve um trago nas recônditas tabernas do centro. E nela perde a noção do tempo. E se encaminha a pé para