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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

POR QUEM OS SINOS DOBRAM (Raul Seixas)

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Nunca se vence uma guerra lutando sozinho Você sabe que a gente precisa entrar em contato Com toda essa força contida e que vive guardada O eco de suas palavras não repercutem em nada É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro Evita o aperto de mão de um possível aliado, Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

MOTO-CONTÍNUO (Bruna Lombardi)

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Eu não sabia o que fazer, e abri a blusa. Mais tarde eu ia dizer: foi sem pensar. Ele me achou desnorteada, confusa, Como acharia qualquer mulher que abre a blusa   E faz tudo que eu fiz só pra agradar.

HISTÓRIA DE FOGO (Juliano Beck de Oliveira)

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“A palavra oral não dá rascunho” já dizia o Manoel de Barros. Consiste esse aforismo na mais pura simulação da verdade de que se tem notícia. Não dá rascunho porque não engravida de livros, a palavra oral é despretensiosa, irresponsável, se dedica apenas aos deleites momentâneos, depois se esvai e raramente resta alguma prova cabal do ato consumado, quando muito uma marca de batom se o orador em questão for um tanto quanto descuidado. Por sua vez, a palavra escrita... ah, essa costuma prostrar o leitor no papel e abusá-lo em todas as posições sintáticas que o termo é capaz de exercer. Não satisfeita, exige ser alçada aos confins do vento e, por declamação, eis meu poema na tua boca outra vez, latejando de sentido. E um ou dois enunciados não bastam, é hora de deitar novamente, pois a pena em riste não cessa de escrever, lançando em teu ventre o sêmen do gosto pelas artes verbais. Incontáveis são os artifícios literários urdidos para que se cumpra religiosamente a est

"OLHO NU - IDEOGRAMAS OCIDENTAIS" (Tchello d'Barros)

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...................................   naked heye mais luz do que o sol do meu céu só o som do seu sim ......................... tem dia que tem sol tem dia que tem lua tem dia que ela diz não tem dia que vem nua ......................... Alguns poemas (Ideogramas Ocidentais) do livro OLHO NU (1996 - Ed. Letras Contemporâneas - SC) Tchello d’Barros *veja mais do autor  aqui:

A FELICIDADE (Vinícius de Moraes, Tom Jobim)

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Tristeza não tem fim Felicidade sim... A felicidade é como a pluma Que o vento vai levando pelo ar Voa tão leve Mas tem a vida breve Precisa que haja vento sem parar.

O PALHAÇO (Emanuel Galvão)

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Ele não era um palhaço, Só queria ser feliz, Fazendo outros felizes. Queria sorrisos, só risos.

MAR (Paulo Leminski)

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aqui nesta pedra alguém sentou olhando o mar o mar não parou pra ser olhado foi mar pra tudo quanto é lado