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Mostrando postagens com o rótulo Socorro Monteiro

14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

SEDUÇÃO DO OLHAR (Socorro Monteiro)

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São somente roupas penduradas! Meu olhar, assim foi seduzido por esta fotografia; Sem perceber, convenceu a minha mente a tornar-se linha.  E foi tecendo delicadamente ... O volume do teu corpo forte e vivo a se movimentar dentro da roupa; O brilho dos teus cabelos quase molhados após o banho; O Teu Rosto firme de expressão muito séria; A delicadeza do teu olhar expresso nas imagens que crias. Aos poucos, a linha da minha mente foi tecendo o homem da roupa... A tua pele foi se formando com a maciez de seda da Pérsia; A superfície geográfica do teu corpo foi tecida em cor e luz; Com delicadeza imensa, nasceu um quase sorriso; Como num toque de mágica, deu-se forma ao teu calor; Costurando lentamente, pois carícia em tuas mãos; Espalhou por toda roupa, o perfume do teu corpo; Sonorizou ao meu ouvido, a tua respiração; Com linha bem transparente, deu pulsar ao coração; E a pele excitada deu vida a emoção. E foi assim que minhas agulhas da mente te

Uma Paixão Sedutora (Socorro Monteiro)

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Um dia um homem apaixonado por uma arte me contaminou com o vírus da sedução das imagens com a mesma avidez do poeta que atrai pela palavra. E como a terra que faz nascer a semente nas suas entranhas, ele fez germinar dentro de mim o interesse de viajar no mundo do cinema.

SOLIDÃO (Socorro Monteiro)

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   Homenagem a Dominguinhos                                           Uma sanfona vagueia sozinha pelos rincões do sertão. Ela sabe que nunca mais será acariciada pelos dedos ágeis e grossos que lhes coçavam as costelas ordenando o comando do floreado que expressava alegria, inventando acordes que davam muito xodó. Sabe que apesar do vigor que ainda carrega, está condenada ao recolhimento e as lembranças do seu romance feliz, que durante muito tempo produziu muito chamego...  

A FACE DA MÚSICA (Socorro Monteiro)

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A música toma a forma de fumaça azulada no infinito. Adentra aos nossos ouvidos com uma grande maciez. Se a audição enxergasse, a veria nas cores do arco-íris. Se a pele a tocasse, a sentiria um manto drapeado, transparente e sedoso, com o poder de acariciar o corpo.

O SERTÃO TEM SEUS ENCANTOS (Socorro Monteiro)

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Foto: Socorro Monteiro Povo na beira da estrada, casa branquinha caiada, na porta a inscrição: deus proteja essa casa e não deixe faltar nada   nem comida nem remédio e livre nóis do inferno da fome da sequidão Menino só de calção, sem camisa e sem chapéu   caminha pelas estradas com uma peteca na mão a cara toda rajada, sem se preocupar com nada,   buchudo de pé no chão, Um burrinho carregado, pelo dono açoitado nas costas o suor se espalha,   e na agonia do caminho vai xotando com o velhinho   bem no meio da cangalha No caminho tem uma cerca, mais na frente uma cancela, pra poder chegar no rio, tem que se passar por ela lá está a lavadeira, com a roupa toda molhada,   dá até pra vê suas curvas bem de longe da estrada Ao longe se ouve chocalho, tocando na capoeira,   acompanhado de berros se aproxima a cabroeira   são bodes, ovelhas, cabras   que veem em busca da água e começa a bebedeira. Quem passar pelo sertão vai vê doutor muito mais:   vai vê cr