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Mostrando postagens com o rótulo Socorro Monteiro

Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

SEDUÇÃO DO OLHAR (Socorro Monteiro)

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São somente roupas penduradas! Meu olhar, assim foi seduzido por esta fotografia; Sem perceber, convenceu a minha mente a tornar-se linha.  E foi tecendo delicadamente ... O volume do teu corpo forte e vivo a se movimentar dentro da roupa; O brilho dos teus cabelos quase molhados após o banho; O Teu Rosto firme de expressão muito séria; A delicadeza do teu olhar expresso nas imagens que crias. Aos poucos, a linha da minha mente foi tecendo o homem da roupa... A tua pele foi se formando com a maciez de seda da Pérsia; A superfície geográfica do teu corpo foi tecida em cor e luz; Com delicadeza imensa, nasceu um quase sorriso; Como num toque de mágica, deu-se forma ao teu calor; Costurando lentamente, pois carícia em tuas mãos; Espalhou por toda roupa, o perfume do teu corpo; Sonorizou ao meu ouvido, a tua respiração; Com linha bem transparente, deu pulsar ao coração; E a pele excitada deu vida a emoção. E foi assim que minhas agulhas da ment...

Uma Paixão Sedutora (Socorro Monteiro)

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Um dia um homem apaixonado por uma arte me contaminou com o vírus da sedução das imagens com a mesma avidez do poeta que atrai pela palavra. E como a terra que faz nascer a semente nas suas entranhas, ele fez germinar dentro de mim o interesse de viajar no mundo do cinema.

SOLIDÃO (Socorro Monteiro)

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   Homenagem a Dominguinhos                                           Uma sanfona vagueia sozinha pelos rincões do sertão. Ela sabe que nunca mais será acariciada pelos dedos ágeis e grossos que lhes coçavam as costelas ordenando o comando do floreado que expressava alegria, inventando acordes que davam muito xodó. Sabe que apesar do vigor que ainda carrega, está condenada ao recolhimento e as lembranças do seu romance feliz, que durante muito tempo produziu muito chamego...  

A FACE DA MÚSICA (Socorro Monteiro)

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A música toma a forma de fumaça azulada no infinito. Adentra aos nossos ouvidos com uma grande maciez. Se a audição enxergasse, a veria nas cores do arco-íris. Se a pele a tocasse, a sentiria um manto drapeado, transparente e sedoso, com o poder de acariciar o corpo.

O SERTÃO TEM SEUS ENCANTOS (Socorro Monteiro)

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Foto: Socorro Monteiro Povo na beira da estrada, casa branquinha caiada, na porta a inscrição: deus proteja essa casa e não deixe faltar nada   nem comida nem remédio e livre nóis do inferno da fome da sequidão Menino só de calção, sem camisa e sem chapéu   caminha pelas estradas com uma peteca na mão a cara toda rajada, sem se preocupar com nada,   buchudo de pé no chão, Um burrinho carregado, pelo dono açoitado nas costas o suor se espalha,   e na agonia do caminho vai xotando com o velhinho   bem no meio da cangalha No caminho tem uma cerca, mais na frente uma cancela, pra poder chegar no rio, tem que se passar por ela lá está a lavadeira, com a roupa toda molhada,   dá até pra vê suas curvas bem de longe da estrada Ao longe se ouve chocalho, tocando na capoeira,   acompanhado de berros se aproxima a cabroeira   são bodes, ovelhas, cabras   que veem em busca da água e começa a bebedeira. Quem passar pelo s...