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Mostrando postagens com o rótulo poesia

Das Vantagens de Ser Bobo (Clarice Lispector)

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  O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado, quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea o

Essa Tal de Fake News (Emanuel Galvão)

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  Essa tal de fake news, vice Na verdade, é uma mentira   Home você não me venha Com uma conversa fiada Algo que lhe convenha Mas, que parece piada Cheia de embromação Cheia de disse me disse Pra enganar o cidadão Quem acredita nessa burrice Me enche logo de ira Essa tal de fake news, vice Na verdade, é uma mentira.   Jesus a muito nos ensinou Que ele gosta é da verdade Quem mente, já desdenhou Dizendo que é liberdade Liberdade de expressão Veja que tamanho disparate Produzir desinformação É grande perversidade E ainda achar que é tolice Pensa mesmo que me tira! Essa tal de fake news, vice Na verdade, é uma mentira.   Mentir somente interessa A quem quer prejudicar Quem não tem boa conversa Quem não sabe argumentar Na boca só tem bobagem Falta de inteligência No coração a maldade Age só com negligência Melhor que logo assumisse Que nos vê como caipira Essa tal de fake news, vice Na verdade, é uma mentira.  

O Voo do Albatroz (Dulce Aprígio Costa)

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  Olhando tudo do alto, Alca um voo o albatroz, Ganhando o céu no infinito, Deixando em terra todos nós. Adeus ao amor que morre, Adeus aos meus entes queridos, Adeus à vida terrena Os olharei dos campos floridos! Não sentirei mais tua alva pele Nem o toque de tua mão, Nosso amor deitará na fria campa, Sentirei gelo no meu coração. Nesta hora a morte cala-te E a escuridão aumenta, Um barco se distancia do porto, Enquanto a dor nos fragmenta. Lembranças nos acompanharão Da felicidade vivida, Todos na terra nos lembrarão Como e quanto foi nossa vida. Copiará cisne O nosso amor Após viver lindamente, Agonizante em dor Que luta, mas morre lentamente? Além do triste desterro, O que restará para nós? Voa, meu querido albatroz! Volta a casa do pai, Roga a ele por nós. - Dulces Lembraças DOCES SONHOS Contando Minhas Histórias  Pagina 103 - Dulce Aprigio Costa é membro da Academia Maceioence de Letras (AML) desde 14 de fevereiro de 2021 e menbro da honorária da Academia de Letras, Ar

Invenção de Orfeu UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] (Jorge de Lima)

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Catástrofe ambiental provocada pela Braskem [ [UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] Um monstro flui nesse poema feito de úmido sal-gema. A abóbada estreita mana a loucura cotidiana. Pra me salvar da loucura como sal-gema. Eis a cura. O ar imenso amadurece, a água nasce, a pedra cresce. Mas desde quando esse rio corre no leito vazio? Vede que arrasta cabeças, frontes sumidas, espessas. E são minhas as medusas, cabeças de estranhas musas. Mas nem tristeza e alegria cindem a noite, do dia. Se vós não tendes sal-gema, não entreis nesse poema.           Invenção de Orfeu, Canto Quarto, poema I

Invenção de Orfeu [Reino Mineral] (Jorge de Lima)

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  Sal-Gema extraído pela Braskem "mina 18" REINO MINERAL Quem te fez assim soturno quieto reino mineral, escondido chão noturno? Que bico rói o teu mal? Quem antes dos sete dias te argamassou em seu gral? Quem te apontou pra onde irias? Quem te confiou morte e guerra? Quem te deu ouro e agonias? Quem em teu seio de terra infundiu a destruição? Quem com lavas em ti berra? Quem te fez do céu o chão Quieto reino mineral? Quem te pôs tão taciturno? Que gênio fez por seu turno antes do mundo nascer: a criação do metal, a danação do poder?           Invenção de Orfeu, Canto Primeiro, XI

Jorge de Lima (Mírian Monte)

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  * Lá vem o poeta Jorge de Lima Acendendo os lampiões da minha verve Apagando qualquer impulso ensoberbe Pois não se concebe vaidade na rima Lá vem o modernista Jorge de Lima Secando lágrimas da pouca estima  Inventando Orfeu e seu Oceano íntimo  Tornando, um desgosto de amor, em algo ínfimo  Lá vem o político Jorge de Lima Com sua fábrica de anjos, a Mulher proletária,  Fazendo do mundo do menino impossível  Uma terra plausível e não imaginária Lá vem o médico Jorge de Lima  Dos Banguês, da Serra da Barriga Forjado na melhor escola de medicina Onde a pobreza, da riqueza, é amiga  Lá vem o enigmático Jorge de Lima Com seu cinematográfico Circo Místico Com Lily Braun, um picadeiro holístico  O sagrado e o profano num espetáculo artístico  Lá vem o imortal Jorge de Lima  Com sua União dos Palmares Sua Negra Fulô, seu Xangô, sua democracia  Lá vem o príncipe dos poetas com sua alagoana poesia Copyright © 2023 by Mírian Monte All rights reserved. *Reetrato de Jorge de Lima por Portinari

Radyr - Poeta Exemplar (Paulo Miranda Barreto)

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  (Para Radyr Gonçalves)   quebra cabeças de bagre! quebra cabeças de vento! diz uva,  vinho  e vinagre com o mesmo alumbramento!   transmuda alegria em mágoa e mágoa em contentamento! dá nó cego em pingo d’água sem pejo ou constrangimento!   e , com luvas de pelica dá murro em ponta de faca belisco em jaguatirica e sopapo em jararaca   é sábio .. . versa ‘pra burro’! (com calma ou de supetão) faz trovão virar sussurro! silêncio virar canção!   faz poema à beira-mar. . .   nas caatingas do sertão . . .  ao sol . . . à luz do luar ou em plena escuridão   louva à Deus e vexa o Cão! o Cabra é bom pra danar! sabe arrasar a razão ! esse é versado em versar !   tem dom pra vender e dar! (e bom coração também)! é um Poeta Exemplar. . . e ainda diz : O que há? Não sou melhor que ninguém!   PAULO MIRANDA BARRETO Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição CompartilhaIgual 4.0 Internacional -.

Estrelas Que Escrevem (Ludmilla Abreu)

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Não sei ser poetisa sem ter um céu Sem olhar pra lua cinza e Sol – letrar no meu papel   Não sei fazer poesias sem namorar as estrelas Pra ler as nuvens vazias eu preciso escrevê-las   Só sei ser poeta e travestir-me de Sol Sei esquentar na tela o que não queima o lençol   Eu só sei ser aluna das coisas que o céu reclama Escrevo, enquanto a Lua Faz noite em outra cama Copyright © 2022 by Ludmilla Abreu All rights reserved. Veja mais sobre Ludmilla Abreu   aqui    

Minha Pátria (Lêdo Ivo)

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Minha pátria não é a língua portuguesa. Nenhuma língua é a pátria. Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci e o vento que sopra em Maceió. São os caranguejos que correm na lama dos mangues e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando sonho. Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas carcomidas, os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar, e o céu encurvado pelas constelações. Minha pátria são os apitos dos navios e o farol no alto da colina. Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa. São os estaleiros apodrecidos e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos e impaludados não param de tossir e tremer nas noites frias e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores e as résteas de cebola enrodilhadas na treva e a chuva que cai sobre os currais de peixe. A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria. Nenhuma língua enganosa é a pátria. Ela ser

A Partícula (Lêdo Ivo)

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  Nada sei sobre mim, quem sou ou de onde vim. Não sei para onde vou quando me for para onde. Não sei se esse ir me expõe ou se esse ir me esconde. Sei apenas que o sol clareia meu jardim onde uma lagartixa me separa de mim. Ignoro quem é este que diz ou é ser eu. E já que nada sou, nada tenho de meu, e nem mesmo de mim, como ser um pronome, essa ínfima partícula que de si e dos outros tem tanta sede e fome e em lenta combustão se queima e se consome? Nem mesmo a vida resta quando a gente regressa do passeio à floresta. Tudo na vida some. E o vento sopra e leva as letras do meu nome.

O Mundo (Eduardo Galeano)

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Um homem da aldeia de Negu no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

O Professor Reinventado (Emanuel Galvão)

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Com um trabalho muito organizado Do plano de aula a sua caderneta Seja lendo para ficar atualizado Ou fazendo uso incansável da caneta Um verdadeiro empreendedor Que do ofício não se ausenta Por ser um agente transformador O professor sempre se reinventa   Adequando-se as regras da legislação Com sua rígida e pesada norma Acreditando que com a educação O mundo aprimora e transforma Aguerrido e muito batalhador Toda intempérie ele enfrenta Por ser um agente transformador O professor sempre se reinventa   Com o aprendizado sempre em mente Na aula a distância ou presencial Se preciso for, até alternadamente Seu objetivo último ou principal É ser um excelente formador De tudo se utiliza e experimenta Por ser um agente transformador O professor sempre se reinventa   Carente de uma maior valorização Não se acomoda ou se entrega Tem na sua abnegada profissão Amor que cultiva e sempre rega Porque quando se faz com amor A recompensa

Minha Arma é a Esperança (Rosilania Macedo)

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*Paulo Freire 100 anos "A esperança faz parte da natureza humana." O ser humano não deve negá-la. Ela "uma espécie de ímpeto natural possível, " necessária. Ele, o ser humano, deve esperanciá-la. Mesmo "em torno de um sem-número de problemas", A "luta política em favor da recriação da sociedade" justa, Deve ter sempre lugar nas práticas éticas e humanas, a favor daqueles que na sociedade vivem condições injustas. "A educação é política", Independentemente do lado em que se está! A diferença é que um lado quer justiça social e o outro que a sociedade fique como estar. A educação é uma forma de intervenção no mundo." 'se refere "as mudanças radicais" para o bem, não a disputa Com isso, a nossa arma deve ser a esperança. Vem pra luta! *As partes aspeadas foram retiradas da obra Pedagogia da Autonomia imagem de Freire: https://www.asle.netbr/as-licoes-de-paulo-freire/ Rosilania Macedo da Silva é Pedagoga e mestre em Educa

Poema Didático (Mia Couto)

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Já tive um país pequeno tão pequeno que andava descalço dentro de mim. Um país tão magro que no seu firmamento não cabia senão uma estrela menina, tão tímida e delicada que só por dentro brilhava. Eu tive um país escrito sem maiúscula. Não tinha fundos para pagar a um herói. Não tinha panos para costurar bandeira. Nem solenidade para entoar um hino. Mas tinha pão e esperança para os viventes e sonhos para os nascentes. Eu tive um país pequeno, tão pequeno que não cabia no mundo. Mia Couto, No livro Tradutor de Chuvas, publicado em 2011, reúne mais de 60 poemas.

Intervalo (Carlos Pronzato)

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  Te tomo da mão Respiro teu aroma de metais Ferrugem ou carmim Tua boca é uma engrenagem frenética De flores Nosso intervalo é tão curto Que as palavras voam Como pregos cintilantes Em rosas de cobre Beijos martelados no alumínio Dos teus lábios A sirene interrompe A brisa do pátio E a paisagem do teu rosto Nos devolve ao estrondo À diária exploração Do cartão de ponto. Copyright © 2021 by Carlos Pronzato All rights reserved  

Poeminha Vulgar (Emanuel Galvão)

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Eu sou um papel higiênico Todo enrolado Ali, bem do lado da latrina As pessoas fazem as merdas... Eu cumpro o meu papel O papel, de papel higiênico Vou lá e limpo a merda que fizeram Daí, tudo bem... pra eles. Mas, um pedaço de mim Fica na lixeira. Eles vão me consumindo... Fazendo outras merdas... Mais um pedaço de mim... Deus que me perdoe A lágrima que inunda meu ser Meu ser desapontado... Eles não usam papel molhado. Copyright © 2007 by Emanuel Galvão All rights reserved. do livro Flor Atrevida pag. 72 - Editora Quadri Office

Timidez - Eu Que Não Sei Falar de Amor (Emanuel Galvão)

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  Talvez haja um pouco de temor Mas preciso então esclarecer Revelar-me parece libertador Senão, sou capaz de padecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Meu corpo deseja teu calor Volúpia que me faz enlouquecer Com fúria e sem nenhum pudor E a certeza de não te esquecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você As flores exalam seu olor Antes que possam fenecer O sol fornece seu calor Antes da noite o esconder  Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Das paixões sou colecionador Mas você me fez amolecer Com seu jeitinho encantador E beleza que não posso descrever Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Escrever é algo desafiador Mas que se pode aprender Amante não tem procurador Ninguém pode substabelecer Eu que não sei falar de amor Resolvi escrever para você Menina te falo com muito ardor Para você jamais me esquecer Ser poeta ou ser um trovador Nem se compara em te satisfazer Eu que não sei falar de amor Resolvi es

Pacto Com a Felicidade (Orlando Alves Gomes)

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De hoje em diante todos os dias ao acordar, direi: Eu hoje vou ser FELIZ ! Vou lembrar de agradecer ao sol pelo seu calor e luminosidade, sentirei que estou vivendo, respirando. Posso desfrutar de todos os recursos da natureza Gratuitamente. Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar. Lembrarei de sentir a beleza das árvores, das flores. Vou sorrir mais, sempre que puder. Vou cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades. Não vou julgar os atos dos meus semelhantes ou companheiros. Vou aprimorar os meus. Lembrarei de ligar para alguém para dizer que estou com saudades ! Reservarei minutos de silêncio, para ter a oportunidade de ouvir.  Não vou lamentar nem amargar as injustiças. Vou pensar no que posso fazer para  Diminuir seus efeitos. Terei sempre em mente que um minuto passado,  não volta mais, vou viver todos os minutos proveitosamente. Não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos, nem com atraso,  lembrando de coisas sobre as quais

Mulher Sem Limites (Romance de Flor) (Emanuel Galvão)

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Você já figura no meu coração Descalça e sem roupa como num salão Tão bela e tão doce, mulher sem limites Quem dera que fosse... E assim exististes Dançando ao ritmo de minha pulsação.   Não cabes em rótulos, por que caberias? Palavras ou versos, talvez te seduza... Então, só então, tu abras tua blusa E ardente, insana, tu permitirias Volúpias intensas de terna paixão.   Porque minha pele não te resistiria Es bela não nego, sou tão negligente Foras apenas bela, mas és inteligente Não encontro virtude que assim a alcance Melhor te amar, assim de relance   Sem ilusões, sem juras de amor Romance de flor, sem dor sem espinho Caindo as pétalas, restará: odor e carinho Assim em meu sonho, te possuo inteira Te amando pleno, não de qualquer maneira. Copyright © 2020 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Foto by: Ana Cruz    

Toda Matéria (Mírian Monte)

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Foto by: Maria Thereza Monte Borges de Souza Pode a morte ser como as velas Navegando o Mucuripe Da canção que ora é festa Com refrão que sempre é triste Ou a flor da moça bela Arremessada do arrecife Para flutuar nas ondas Com a fé que ainda existe Pode a morte ser o gozo Ou o beijo dos amantes Pode a morte ser desgosto De lembrar como era antes Pode a morte ser o sonho Que não se realizou Pode ser o desconforto Do medo e do desamor Sinto a morte percorrendo Minhas veias e artérias E por isso tenho pressa De viver toda matéria E até que eu pereça Provarei cada sabor E quem sabe aconteça O que dizem ser amor

Elogio ao Desejo (Emanuel Galvão)

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A ansiedade toma conta do meu corpo... Espero que teus ditos machuquem minha alma ou provoque gozo. Não entendo a demora das palavras... Mas, acredito que ao ler-me... pretensiosamente teu membro responda, e o sêmen seja a tinta das tuas letras e apresente em mim  um desejo incontrolável de comer tuas frases  e de vê-lo.                                                 (S.L.) A tua nudez me fascina,  E ao ver-te nua de forma tão traquina, Lanço fora as vestes de minha timidez, Para escrever com lábios em tua linda tez. A lascívia, assim como o desejo Não convêm aos sábios... Prova então da língua, cheia de desejo, Louca e sem palavras, nos teus grandes E pequenos lábios. Quase sinto o gosto do verbo em carne viva Pois que paixão tentadora, voraz e tão lasciva Não tem que ter senso, tampouco pejo, Entrego então meu corpo, todo ao teu desejo. Ao ver-te nua... Visão do paraíso... Não sei se faço verso, trovo, improviso Eu, no entanto, emudeço, calo Não se