Invenção de Orfeu UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] (Jorge de Lima)

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Catástrofe ambiental provocada pela Braskem [ [UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] Um monstro flui nesse poema feito de úmido sal-gema. A abóbada estreita mana a loucura cotidiana. Pra me salvar da loucura como sal-gema. Eis a cura. O ar imenso amadurece, a água nasce, a pedra cresce. Mas desde quando esse rio corre no leito vazio? Vede que arrasta cabeças, frontes sumidas, espessas. E são minhas as medusas, cabeças de estranhas musas. Mas nem tristeza e alegria cindem a noite, do dia. Se vós não tendes sal-gema, não entreis nesse poema.           Invenção de Orfeu, Canto Quarto, poema I

Radyr - Poeta Exemplar (Paulo Miranda Barreto)

 


(Para Radyr Gonçalves)
 
quebra cabeças de bagre!
quebra cabeças de vento!
diz uva,  vinho  e vinagre
com o mesmo alumbramento!
 
transmuda alegria em mágoa
e mágoa em contentamento!
dá nó cego em pingo d’água
sem pejo ou constrangimento!
 
e , com luvas de pelica
dá murro em ponta de faca
belisco em jaguatirica
e sopapo em jararaca
 
é sábio .. . versa ‘pra burro’!
(com calma ou de supetão)
faz trovão virar sussurro!
silêncio virar canção!
 
faz poema à beira-mar. . .  
nas caatingas do sertão . . . 
ao sol . . . à luz do luar
ou em plena escuridão
 
louva à Deus e vexa o Cão!
o Cabra é bom pra danar!
sabe arrasar a razão !
esse é versado em versar !
 
tem dom pra vender e dar!
(e bom coração também)!
é um Poeta Exemplar. . .
e ainda diz : O que há?
Não sou melhor que ninguém!
 
PAULO MIRANDA BARRETO
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