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Mostrando postagens de janeiro, 2013

Das Vantagens de Ser Bobo (Clarice Lispector)

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  O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo. O bobo é capaz de ficar sentado, quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas. O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea o

ESSA QUE EU HEI DE AMAR... (Guilherme de Almeida)

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Mulher Caminhando Poto: Erian Stock Deviantart Essa que eu hei de amar perdidamente um dia, será tão loura, e clara, e vagarosas, e bela, que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela, trazer a luz e calor a esta alma escura e fria. E, quando ela passar, tudo o que eu não sentia da vida há de acordar no coração que vela... E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela como sombra feliz... —  Tudo isso eu me dizia, quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro, e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro do poente, me dizia adeus, como um sol triste... E falou-me de longe: “Eu passei a teu lado, mas ia tão perdido em teu sonho dourado, meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!”           (De Messidor, 1935)

XVII (Guilherme de Almeida)

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Eu em ti, tu em mim, minha querida, nós dois passamos despreocupados, como passa, de leve, pela vida,   um parzinho feliz de namorados. E assim vou, e assim vais. E, assim, unida à minha a tua mão, de braços dados, assim nós vamos, como quem duvida que haja, no mundo, tantos desgraçados. Um dia, para nós - não sei... quem sabe? -   é bem possível que tudo isto acabe, que sejas mais feliz, que eu fique louco... Mas nunca percas, nunca mais, de vista aquele moço sentimentalista que te quis muito e a quem quiseste um pouco!

A IMPLOSÃO DA MENTIRA (Affonso Romano de Sant'Anna)

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Fragmento 1                Mentiram-me. Mentiram-me ontem                e hoje mentem novamente. Mentem                de corpo e alma, completamente.                E mentem de maneira tão pungente                que acho que mentem sinceramente.                Mentem, sobretudo, impune/mente.                Não mentem tristes. Alegremente                mentem. Mentem tão nacional/mente                que acham que mentindo história afora                vão enganar a morte eterna/mente.                Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases                falam. E desfilam de tal modo nuas                que mesmo um cego pode ver                a verdade em trapos pelas ruas.                Sei que a verdade é difícil                e para alguns é cara e escura.                Mas não se chega à verdade                pela mentira, nem à democracia                pela ditadura. Fragmento 2                Evidente/mente a cre

ACHO MARAVILHOSO... (Ana Jácomo)

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“Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem. Que estão por aqui conosco. Pessoas que fazem muita diferença na nossa jornada, com as quais trocamos figurinhas raras para o nosso álbum.”

AMOR INÉDITO (Cris Guerra)

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O meu amor por você é inédito. Novo e maduro – como pode? Penso, sinto e quero você. Hoje, amanhã e na medida sem fim do tempo. Quando estou em silêncio e lembro que você existe eu sinto paz. Suspiro aliviada. Quero vestir o seu abraço e sair com ele por aí, como um colete à prova de balas. Abraço longo, apertado, quente. Quero mais, me abrace mais. Mais um pouquinho. Vai sempre faltar abraço pra minha sede dele. Sei que dentro de você moram sorrisos. Alguns você deixa escapar, os outros esconde no escuro, pra eu procurar. E eu gosto do jogo. Gosto também das suas mãos nas minhas, das suas mãos tomando conta de mim. Não quero viver sem suas mãos por perto. Não sei aprender isso. É que esse meu amor inédito parece que nasceu junto comigo.  *Esse texto foi colhido maduro como fruto bom do blog: http://simplesmentesensivel.blogspot.com.br/  

SOBRE O ANO NOVO (OU O PRÓXIMO DIA)

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Agencia Alagoas La fora o sol já me sorria E o barulho dos carros e o despertador Convidando-me ao trabalho, confirmaria Que se tratava do segundo dia