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Mostrando postagens de Setembro, 2014

14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Um Beijo (Olavo Bilac)

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Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto...

'Amor' (Luís Vaz de Camões)

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Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me, e novas esquivanças; que não pode tirar-me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, conquanto não pode haver desgosto onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê. Que dias há que n'alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê. *Luís de Camões Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961.

Oficina de Poesia (Sergio Vaz)

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"o que é poesia?" O menino me perguntou. "Poesia é a forma diferente de olhar as coisas." Eu perguntei: " o que tem na minhas mãos?" "Água." Todos responderam. Perguntei de novo " o que tem nas minhas mãos?" "água." Perguntei mais uma vez, só que desta vez alguém lá no fundo disse "mar" do outro lado alguém disse "Chuva" "enchente" "lágrimas" "Vida" "suor" "refrigerante" "suco" "banho" etc. etc. etc. Aí, eu disse: "Pera lá, mas agora pouco não era só um copo de água?" "ha, ha, ha, ha, ha, ha..." E todos nós rimos como se a dor não existisse. E a água da poesia quase afogou meus olhos. O Coração já tinha transbordado há muito tempo.

Quem me leva os meus fantasmas (Pedro Abrunhosa)

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(*) Aquele era o tempo Em que as mãos se fechavam E nas noites brilhantes as palavras voavam, E eu via que o céu me nascia dos dedos E a ursa maior eram ferros acesos. Marinheiros perdidos em portos distantes, Em bares escondidos, Em sonhos gigantes. E a cidade vazia, Da cor do asfalto, E alguém me pedia que cantasse mais alto. Quem me leva os meus fantasmas? Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? Quem me leva os meus fantasmas? Quem me leva os meus fantasmas? Quem me salva desta espada? E me diz onde e´a estrada Aquele era o tempo Em que as sombras se abriam, Em que homens negavam O que outros erguiam. E eu bebia da vida em goles pequenos, Tropeçava no riso, abraçava de menos. De costas voltadas não se vê o futuro Nem o rumo da bala Nem a falha no muro. E alguém me gritava Com voz de profeta Que o caminho se faz Entre o alvo e a seta. Quem leva os meus fantasmas? Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrad

Código (Emanuel Galvão)

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Coração diz umas coisas... Um código morse, feitos de tum-tuns Umas mudanças de brilho no olhar Tem que entender de amor pra decifrar Fala para todos Mas, só o entendem, alguns.

A Idade e a Mudança (Lya Luft)

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"Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo.      Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres  de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.      Foi um momento inesquecível...  A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.      Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?' Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.        Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.