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14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Não Minto (Sidney Wanderley)

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‘É repousante achar-se entre mulheres bonitas. Por que sempre mentir sobre tais coisas?’ - segredou-me em certa página Ezra Pound. Entanto eu, quando entre elas - desengonçada jiboia, pé e perna Que no plano se projetam Para a topada e a queda – Assusto-as, ou assusto-me demasiado.

A Missão (Sidney Wanderley)

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Todas as palavras e despalavras que haviam de ser ditas, malditas -todas-, já o foram. Mesmo o silêncio, fala sem voz, em seus inumeráveis disfarces e variações -todos-, já se fez.

INEQUAÇÃO (Sidney Wanderley)

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Não se entra e sai da amada como se entra e sai do teatro. Do teatro se entra e sai da mesma forma e maneira: com cinco dedos por mão, com vinte dedos no corpo, trinta idéias na cabeça, algum dinheiro no bolso; com vida, se entrarmos vivos; defuntos, se entrarmos mortos. Na amada mergulhamos por completo, inteiramente, e quando à tona tornamos há em nós algo de menos: pode ser nosso suor a encharcar nossas vestes; nosso sangue, nosso sêmen que em seu ventre floresce; pode ser nossa agonia, nossa careta de gozo ou nossa contrição de prece. O fato é que algo resta longe de nós, naufragado, e não mais somos quem éramos quando cansados fugimos do mar gozoso da amada. Não se entra e sai da amada como se entra e sai de um auto. Num auto se entra e passeia por ladeiras e ruas planas, por campos, charcos, desertos, asfalto, barro batido, canaviais, açucenas, e ao final da jornada restamos inteiros e vivos, de igual forma como entramos. Na amada mergulhamos por completo, inteiramente, e qu