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Mostrando postagens com o rótulo Sidney Wanderley

Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Não Minto (Sidney Wanderley)

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‘É repousante achar-se entre mulheres bonitas. Por que sempre mentir sobre tais coisas?’ - segredou-me em certa página Ezra Pound. Entanto eu, quando entre elas - desengonçada jiboia, pé e perna Que no plano se projetam Para a topada e a queda – Assusto-as, ou assusto-me demasiado. Não minto, por minha mãe que não minto. ‘É repousante palestrar com mulheres bonitas Ainda que se fale apenas contra-sensos’ - persevera no ensino o d’Os Cantares. Deve ser assim, intuo. Mas não consigo. Seco suor, impávido tremor a viajarem-me ossos, garganta. Dai-me, Senhor, quando entre belas A conformidade e a calma que possuem as tardes Quando a noite as abate e a lua as enterra. * Sidney Wanderley – Poemas Post-húmus (Coleção Viventes da Alagoas Volume 3) pag. 75 Sergasa

A Missão (Sidney Wanderley)

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Todas as palavras e despalavras que haviam de ser ditas, malditas -todas-, já o foram. Mesmo o silêncio, fala sem voz, em seus inumeráveis disfarces e variações -todos-, já se fez.

INEQUAÇÃO (Sidney Wanderley)

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Não se entra e sai da amada como se entra e sai do teatro. Do teatro se entra e sai da mesma forma e maneira: com cinco dedos por mão, com vinte dedos no corpo, trinta idéias na cabeça, algum dinheiro no bolso; com vida, se entrarmos vivos; defuntos, se entrarmos mortos. Na amada mergulhamos por completo, inteiramente, e quando à tona tornamos há em nós algo de menos: pode ser nosso suor a encharcar nossas vestes; nosso sangue, nosso sêmen que em seu ventre floresce; pode ser nossa agonia, nossa careta de gozo ou nossa contrição de prece. O fato é que algo resta longe de nós, naufragado, e não mais somos quem éramos quando cansados fugimos do mar gozoso da amada. Não se entra e sai da amada como se entra e sai de um auto. Num auto se entra e passeia por ladeiras e ruas planas, por campos, charcos, desertos, asfalto, barro batido, canaviais, açucenas, e ao final da jornada restamos inteiros e vivos, de igual forma como entramos. Na amada mergulhamos por completo, inteiramente, e qu...