Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Não Minto (Sidney Wanderley)



‘É repousante achar-se entre mulheres bonitas.
Por que sempre mentir sobre tais coisas?’
- segredou-me em certa página Ezra Pound.
Entanto eu, quando entre elas
- desengonçada jiboia, pé e perna
Que no plano se projetam
Para a topada e a queda –
Assusto-as, ou assusto-me demasiado.



Não minto, por minha mãe que não minto.


‘É repousante palestrar com mulheres bonitas
Ainda que se fale apenas contra-sensos’
- persevera no ensino o d’Os Cantares.
Deve ser assim, intuo. Mas não consigo.
Seco suor, impávido tremor a viajarem-me
ossos, garganta.


Dai-me, Senhor, quando entre belas
A conformidade e a calma que possuem as tardes
Quando a noite as abate e a lua as enterra.

*Sidney Wanderley – Poemas Post-húmus (Coleção Viventes da Alagoas Volume 3) pag. 75 Sergasa

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