Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.


 Apesar dos imprevistos

que o cotidiano espalha pelo caminho

como pedras súbitas,

capazes de nos deter os passos

e suspender o fôlego,


eu permaneço.


Com a mesma coragem indomável,

com a ousadia que me acende por dentro,

semeio utopias no escuro da terra

e confio —

há sempre um amanhecer

à espera de quem insiste.


Escolho olhar o mundo

com pupilas de poesia:

lentes invisíveis

que transfiguram o peso em voo

e o caos em constelação.


É ela quem me sopra

os segredos da magia

e me ensina a atravessar abismos

sem me perder de mim.


Sobretudo nos dias

em que o coração

arde em silêncio,

grita para dentro

e nenhuma mão alcança,


faço do próprio peito

um farol aceso —

e sigo,

porque a esperança aprende comigo

a nunca se apagar.


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