Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

O QUE É UM MENINO (Alan Beck)


Alan Beck
Tradução de Benedito Ferri de Barros


Entre a inocência da infância
e a compostura da maturidade
há uma deliciosa criatura chamada MENINO.



Embora se apresentem em tamanhos,
pesos e cores sortidos, todos os meninos
têm o mesmo credo; aproveitar cada segundo
de cada minuto de todas as horas de
todos os dias e protestar ruidosamente...

O barulho é sua única arma
quando seu último minuto é decretado
e os adultos os empacotam e os metem na cama.

Meninos são encontrados em todas as partes:
em cima de,
embaixo de,
dentro de,
subindo em,
balançando-se no,
correndo em volta de,
pulando...

As mães os adoram,
as meninas os odeiam,
irmãos e irmãs mais velhos os suportam,
adultos os ignoram,
o céu os protegem...

Um menino é a Verdade com o rosto sujo,
a Beleza com um corte no dedo,
a Sabedoria com um chiclete no cabelo,
a esperança do futuro com uma rã no bolso...

Quando você está ocupado, um menino
é uma conversa-fiada, intrometido e amolante.
Quando você deseja que ele cause boa impressão,
seu cérebro vira geléia, ou ele se transforma
em uma criatura sádica e selvagem empenhada
em desmontar o mundo ao seu redor.

Um menino é um híbrido:
o apetite de um cavalo,
a disposição de um engole-espadas,
a energia de uma bomba atômica de bolso,
a curiosidade de um gato,
os pulmões de um ditador,
a imaginação de um Júlio Verne,
o retraimento de uma violeta,
o entusiasmo de um bombeiro
- e quando se mete a fazer alguma coisa
é como se tivesse cinco polegares em cada mão...

Gosta de sorvete,
canivetes, serrotes,
pedaços de pau, bichos grandes,
água (no seu "habitat" natural),
papai, sábados, domingos e feriados,
mangueiras de água.

Não é partidário de catecismo,
escolas, livros sem figuras,
lições de musica, colarinhos,
barbeiros, meninas, agasalhos,
adultos e "hora de dormir"...

Ninguém se levanta tão cedo,
nem chega tão tarde para o jantar.
Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorroe e mosquitos.
Ninguém mais é capaz de meter num único bolso
um canivete enferrujado,
uma maçã comida pela metade,
um metro e meio de barbante,
um saco de matéria plástica,
duas pastilhas de chiclete,
três notas de um real,
um estilingue,
e um fragmento de "substância ignorada".

Um menino é uma criatura mágica:
você pode mantê-lo fora do seu escritório,
mas não pode expulsá-lo de seu coração.
Pode pô-lo para fora da sala de visitas,
mas não pode tirá-lo de sua mente.
Queira, ou não, ele é seu captor,
seu carcereiro, seu dono, seu patrão,
um cara sarapintado, um nanico,
um mata-gatos, um pacote de encrencas...

Mas quando a noite você chega em casa,
com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços,
ele possui a magia de soldá-los em um segundo,
pronunciando duas palavras somente:
"Oi pai... Fala mãe !!!"


Comentários

  1. Gostei é pouco... ameiiiiiiiiiiiiiiiiii...

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  2. Realmente quem convive ou conviveu com um menino sabe que é exatamente assim.

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  3. Tem uma poema semelhante "O que é uma menina" que é lindo também, mas há muitos anos não o tenho.

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  4. Eu amo tanto esse poema que fiz dele o tema da festinha de 4 anos do meu filho!

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