Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Invenção de Orfeu UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] (Jorge de Lima)


Catástrofe ambiental provocada pela Braskem

[[UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA]


Um monstro flui nesse poema

feito de úmido sal-gema.


A abóbada estreita mana

a loucura cotidiana.


Pra me salvar da loucura

como sal-gema. Eis a cura.


O ar imenso amadurece,

a água nasce, a pedra cresce.


Mas desde quando esse rio

corre no leito vazio?


Vede que arrasta cabeças,

frontes sumidas, espessas.


E são minhas as medusas,

cabeças de estranhas musas.


Mas nem tristeza e alegria

cindem a noite, do dia.


Se vós não tendes sal-gema,

não entreis nesse poema.

          Invenção de Orfeu, Canto Quarto, poema I

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