MEUS ESTIMADOS AMIGOS - DIA DO POETA (Emanuel Galvão)

Imagem
Para começar a semana Visitei meu amigo Mário Refiro-me ao Quintana E para meu poema  ficar danado de bom Parceria com Drummond Para ele não conter vícios Parceria com Vinicius E ser amigo do rei Nessa grande brincadeira Acompanhei Manuel Bandeira Também entre as pedras Cresceu minha poesia Cresceu com essa menina Grande Cora Coralina Poesia não precisa de motivo Basta ler em Ledo Ivo Quero iluminar de cima Acendendo lampiões Como fez Jorge de Lima Fazer um poema elegante Sofisticado, bacana Como faz o Afonso O Romano de Sant’anna Fazer poesia que arde Como faz Bruna Lombardi Não escrever coisa atoa Como fez Fernado Pessoa Fazer veros de quilate Como o Olavo Bilac Poema que seja casa Grande como uma mansão Como ergueu Gonzaga Leão Poema de morte e vida Severina vida sem teto Trabalhar no mesmo tema Faze grande o meu poema Como João Cabral de melo Neto Poema que a boca escarra E que escreve com a mão Que afaga e apedreja Sem flores e seus arranjos Como fez Augusto dos Anjos E na Can...

ANTESSOCIAL (Isaac Souto)

 


"Não há mais inocente,

 tem esperto ao contrário".

 Qualquer um pode ficar perturbado,

 o além do além não é lugar.


Mas onde há igualdade?


Bonito é o que se fez e o que se faz

 de feio nessa "incivilização".

 Não cale, enfie o seu palavrão

 no fundo de uma canção,

 porque no meio do poço

 há luz, muita luz e osso.


"A chinela é minha comida"

 A minha pobreza é nossa,

 mas eu caio pra frente - descalçada e sobrevivida.

Não sei nada de ambição,

 às vezes, até o coração empenho,

 noutras, ele é justo o que tenho

 pra acolher tanta injustiça.


Ontem à noite fui à missa,

 pediram: ninguém que se revolte!

 Eu disse:

 Nasci discordando da vida,

 não devo um centavo à morte!


*À Dona Estamira, que disse: "Eu não concordo com a vida e muito mais.

Copyright © 2025 by Isaac Souto All rights reserved.



Dona Estamira, cujo nome de batismo era Estamira Gomes de Sousa, foi uma senhora que viveu grande parte da sua vida no aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, como catadora de lixo, e se tornou a protagonista de um premiado documentário brasileiro de 2004 sobre sua vida e sua luta. Com transtornos mentais, ela se destacava por seu carisma, seu caráter maternal e sua lucidez em meio aos destratos sociais que a marcaram, morrendo em 2011 aos 70 anos em consequência de uma infecção generalizada. 

@defensoriaemdiversidade




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu não gosto de você, Papai Noel!... (Aldemar Paiva)

Essa Negra Fulô (Jorge de Lima)

O Beijo (Elsa Moreno)

MEUS SECRETOS AMIGOS (Paulo Sant'Ana)

A Reunião dos Bichos (Antônio Francisco)

Gritaram-me Negra (Victoria Santa Cruz)

TERCETOS (Olavo Bilac)

TÊNIS X FRESCOBOL (Rubem Alves)