Invenção de Orfeu UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] (Jorge de Lima)

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Catástrofe ambiental provocada pela Braskem [ [UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] Um monstro flui nesse poema feito de úmido sal-gema. A abóbada estreita mana a loucura cotidiana. Pra me salvar da loucura como sal-gema. Eis a cura. O ar imenso amadurece, a água nasce, a pedra cresce. Mas desde quando esse rio corre no leito vazio? Vede que arrasta cabeças, frontes sumidas, espessas. E são minhas as medusas, cabeças de estranhas musas. Mas nem tristeza e alegria cindem a noite, do dia. Se vós não tendes sal-gema, não entreis nesse poema.           Invenção de Orfeu, Canto Quarto, poema I

Jorge de Lima (Mírian Monte)

 

*

Lá vem o poeta Jorge de Lima

Acendendo os lampiões da minha verve

Apagando qualquer impulso ensoberbe

Pois não se concebe vaidade na rima


Lá vem o modernista Jorge de Lima

Secando lágrimas da pouca estima 

Inventando Orfeu e seu Oceano íntimo 

Tornando, um desgosto de amor, em algo ínfimo 


Lá vem o político Jorge de Lima

Com sua fábrica de anjos, a Mulher proletária, 

Fazendo do mundo do menino impossível 

Uma terra plausível e não imaginária


Lá vem o médico Jorge de Lima 

Dos Banguês, da Serra da Barriga

Forjado na melhor escola de medicina

Onde a pobreza, da riqueza, é amiga 


Lá vem o enigmático Jorge de Lima

Com seu cinematográfico Circo Místico

Com Lily Braun, um picadeiro holístico 

O sagrado e o profano num espetáculo artístico 


Lá vem o imortal Jorge de Lima 

Com sua União dos Palmares

Sua Negra Fulô, seu Xangô, sua democracia 

Lá vem o príncipe dos poetas com sua alagoana poesia


Copyright © 2023 by Mírian Monte
All rights reserved.

*Reetrato de Jorge de Lima por Portinari

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