Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

3ª Contingência Amorosa (Arriete Vilela)


Quero-te assim:
á distância.
Para dizer-me de ti, suavemente.
Ou negar-te,
quando tua lembrança doer
nas pitangueiras da minha infância,
pois insistes em colher os frutos
antes da estação.

Quero-te assim:
sem notícias.
Para que meu riso não te acolha
nem flagres em mim a alegria
de grande circo que, uma noite,
vivi no teu corpo.

Quero-te assim:
à deriva.
Para que, ao te buscar, o meu desejo
navegue à toa, naufragando aqui e acolá,
pois tua pele não tem porto,
nem cais,
nem âncora.


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