Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

SERRA DA BARRIGA (Rosimeire Bernado)


Desprendo de mim e ouço
as fortes pisadas nas folhas secas.
Será um negro cansado fugindo do branco?
Ou serei eu, fugindo do descuido humano?
Mundaú quase não te lambe, Serra.
Mundaú está morrendo.

Daqui de cima o vejo
correndo devagar, sem forças
com os ossos que se mostram
sem nenhum pudor.
Cuidado Serra!
As canas que te beijam
podem te engolir.
Cuidado serra!
Os animais que pensam
podem te desmatar.
Negro que lutou
para viver em liberdade
teus descendentes lutam
para se libertar da ganância
dos novos senhores de engenho.
Oh liberdade quase conquistada!
Não se afasta!
Não quero a liberdade amanhã.
QUERO SER LIVRE HOJE. —


Copyright © 2013 by Rosimeire Bernado
All rights reserved.



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