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Mostrando postagens que correspondem à pesquisa por Emanuel Galvão

Invenção de Orfeu UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] (Jorge de Lima)

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Catástrofe ambiental provocada pela Braskem [ [UM MONSTRO FLUI NESSE POEMA] Um monstro flui nesse poema feito de úmido sal-gema. A abóbada estreita mana a loucura cotidiana. Pra me salvar da loucura como sal-gema. Eis a cura. O ar imenso amadurece, a água nasce, a pedra cresce. Mas desde quando esse rio corre no leito vazio? Vede que arrasta cabeças, frontes sumidas, espessas. E são minhas as medusas, cabeças de estranhas musas. Mas nem tristeza e alegria cindem a noite, do dia. Se vós não tendes sal-gema, não entreis nesse poema.           Invenção de Orfeu, Canto Quarto, poema I

Romance em Construção (Emanuel Galvão)

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Olhou aquela mulher como se fosse a única. Deixou de lado o medo e seu jeito tímido.  Parou defronte aquele ser belíssimo.  Tocou seus lindos lábios num beijo úmido. Ela surpreendeu-se com a atitude súbita.  Ficou, atordoada, eu diria que atônita.  Levou as mãos à face e ficou estática.  Seu rosto iluminou-se de um brilho pálido. Beijou-a novamente, firme, forte e rápido.  Antes que parecesse um ato patético.  O que de fato era um ato homérico. E quem observou achou até poético. Seus pés cambalearam e ficaram flácidos.  Mas o seu coração batia tão frenético.  Nunca imaginou ser beijada em público.  Queria parar, mas era hipnótico. Ele estava ali se sentido o máximo.  O que o assustava era um motivo estético.  E desistir então lhe parecia módico.  Os sentimentos puros que trazia tácito.  Então, declarou seu amor, fiel e impávido.  E a partir daí, deixou de ser, teórico. Copyright © 2015 by Emanuel Galvão All rights reserved. Elogio ao Desej

O Acendedor de Esperanças da Rua (Emanuel Galvão)

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Basta de verdades baratas.  Arrancai o ranço do coração!  As ruas são nossos pincéis  e paletas as nossas praças.  No livro do tempo  ainda não foram cantadas  as mil páginas da revolução. Para a rua, futuristas,  tambores e poetas!                                                                 Vladimir Maiakóvski  *Para Letícia Sabatella & Jonathan Silva La vem o acendedor de esperanças da rua Este mesmo que vem com sua inquietude, Seus sonhos, suas dores, a juntar-se a tua, A transformar, utopia e poesia, em atitude. Um, dois, três corações, acende e continua Outros mais a acender, inadvertidamente, A medida que as trevas, rasteira insinua Uma estupidez humana, viral e indecente. Triste ironia atroz que Jorge nos apresenta: O cordeiro inocente a apostar em lobos, Enquanto o covarde, da escolha, se isenta. A insídia do fascismo, se ergue e continua, Na ilusão do apelo patriótico e seus arroubos. Fez florescer, acendedores de corações

FLOR ATREVIDA - EDITORA QUADRIOFFICE/2007 (Adriana Moraes)

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Autor do Livro de poesia, Flor Atrevida, lançado na Bienal do Livro de 2007, o professor, artista visual, consultor em arte-educação, articulista e poeta Emanuel Galvão, apresenta ao cenário alagoano seus poemas inundados de cotidiano e beleza. Ousado como suas poesias, Emanuel nada contra a corrente de que livros de poesias não são bem aceitos pelo público, ou tem público restrito e lança seu livro/sonho, acalentado e escrito ao longo de 26 anos. Diante de tanta ousadia, como explicar a arte de Emanuel Lopes Ferreira Galvão? Emanuel Poeta, como é conhecido, nascido e criando em União dos Palmares, cria suas poesias, mergulhado nos universos a que se propõe tratar. Quando o universo é feminino, toda paixão vem à tona em uma torrente de sensualidade e sensibilidade. Exemplo disso é o poema Metáforas, onde o poeta nos toca de fato com as palavras. Uma das características mais marcantes de Emanuel é a captação da realidade reinventada, onde assume o papel do sedutor e do seduzido, ora

Elogio ao Desejo (Emanuel Galvão)

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A ansiedade toma conta do meu corpo... Espero que teus ditos machuquem minha alma ou provoque gozo. Não entendo a demora das palavras... Mas, acredito que ao ler-me... pretensiosamente teu membro responda, e o sêmen seja a tinta das tuas letras e apresente em mim  um desejo incontrolável de comer tuas frases  e de vê-lo.                                                 (S.L.) A tua nudez me fascina,  E ao ver-te nua de forma tão traquina, Lanço fora as vestes de minha timidez, Para escrever com lábios em tua linda tez. A lascívia, assim como o desejo Não convêm aos sábios... Prova então da língua, cheia de desejo, Louca e sem palavras, nos teus grandes E pequenos lábios. Quase sinto o gosto do verbo em carne viva Pois que paixão tentadora, voraz e tão lasciva Não tem que ter senso, tampouco pejo, Entrego então meu corpo, todo ao teu desejo. Ao ver-te nua... Visão do paraíso... Não sei se faço verso, trovo, improviso Eu, no entanto, emudeço, calo Não se

Os Leitores (Emanuel Galvão)

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Os tidos normais Leem com os olhos A paisagem pelas palavras Criadas Os cegos Leem com dedos E com bastante tato Percorrem os corpos das páginas De letras tatuadas Os surdos Leem as libras Os livros E os lábios Os emotivos Têm seus motivos Para lerem sinestesicamente Hão de concordar aos sábios Os malucos como eu Que a vida tanto inquieta No ofício de ser poeta Despretensiosamente Lê o que outro sente E os amantes Ao contrário das cartomantes Das quiromantes Leem além das cartas e das mãos O que não está oculto ao coração Algo que do corpo se revele Leem os desejos segredados... Em cada tipo de pele. Copyright © 2015 by Emanuel Galvão  All rights reserved. Elogio ao Desejo & Outras Palavras / Emanuel Galvão, Maceió - AL. - Quadrioffice Editora, Quatro Barras, PR, 2015. Pag. 36

Le Petit Poème Coquin (Parole: Emanuel Galvão / Traduction : Joseli Rêgo Lopes)

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Le Petit Poème Coquin  Je cherchais La poèsie Mais elle est allée jouer dans mon enfance Elle a joué le toupie dans mon clos Alors  je suis allé a la lumière De mon clos. Mais la poèsie coquine Elle a  volé tout ensemble a une cerf-volant et a  porté avec elle La parole – matière première -  Je ne comprenais pas pourquoi cette poésie- là était grande Et la mienne était petite J ‘ai bandé mes yeux et j ‘ai joué à la collin-maillard Parce que si je sentais la parole, la rime Je la prendrais tout de suite Mais la poèsie coquine Bien caché chez-moi Apportais les bruits de son attente -          Pour moi, ce n’est pas facile la trouver Ni la séduire, ni la captiver - Je l’ai cherché Mais elle a eu jouer à cache-cache Et je ne l’ai pas trouvé. Copyright © 2015 by Parole: Emanuel Galvão /  Traduction : Joseli Rêgo Lopes All rights reserved. Poeminha Traquino Eu procurei a poesia E tinha ela ido brincar na minha infância

Um Beijo a Distância (Emanuel Galvão)

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O que dizer de alguém inefável? Principalmente sendo esse ser, feminino. Que de modo intenso e amável Fez-me sentir: ora homem, ora menino. Seu gestual trazia tal sutileza Que meus olhos se iluminaram A visão de tanta beleza. Materializava-se como enlevo na natureza, Seu corpo nu, refletido no espelho. - o homem meu caro, é a circunstância! - Sua boca, vestida de vermelho, Mais parecia um beijo a distância. Eu que sou tão tímido E me escondo nos versos, na poesia Vi-me  tomado de uma libido De um frenesi, uma fantasia. Ela era uma mulher. A mulher: Que se deseja, que se sonha, que se quer. Há de se convir Que estar nu, vai mais além Que se despir! Já que vos pus cientes das particularidades Dar-vos-eis conhecer das intimidades. - Um pouco apenas, compreendam! - Era uma mulher para ser amada com ousadia Em seu ouvido eu sussurraria Palavras cuja paixão inflama Por onde, não se surpreendam, Eu começaria A beijar pelo pé da cama. Copyright © 2015 b

O GUERREIRO (Emanuel Galvão)

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Não existem derrotas nas batalhas O que há, são quedas provisórias As derrotas são vitória, ainda que falhas Ajudam a solidificar a nossa história.

PRA DIZER TUDO QUE SINTO (Emanuel Galvão)

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Guardei tantas frases pra te dar Pra te agradar Te impressionar Poder dizer tudo o quanto sinto

POEMINHA TRAQUINO (Emanuel Galvão)

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Eu procurei a poesia E tinha ela ido brincar na minha infância Tinha ido soltar pião no quintal Dirigi-me então para a claridade Do quintal

NU (Emanuel Galvão)

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                                     “ Disseram-me certa feita: a poesia é um crime perfeito.”                                                                                      Juliano Beck                                                Eu quero entrar em você Não metaforicamente Mais sim loucamente Como deve realmente ser E introduzir coisa mais firme Que essa minha conversa mole...

GEOGRAFIA (Emanuel Galvão)

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Porque sempre me acho perdido no teu corpo?

MOLHADA DE SUOR E DE DESEJO (Emanuel Galvão)

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Tu chegaste como a brisa Eu nem esperava por ti Mas tu me arrepiaste a pele Entraste pelos poros Quando me dei conta Ao amanhecer Já era toda tua E me olhava nua Eu ainda tonta Molhada de suor e de desejo Implorei pelo teu beijo. (Emanuel Galvão - Livro Flor Atrevida - Quadrioffice/2007)

Eu abro a janela e vejo a vida bela (Emanuel Galvão)

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Para D. Liége 'Penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.' Rubem Braga Eu abro a janela E vejo a vida bela Eu vejo muito a além das necessidades - Um mundo de possibilidades – Mais que louças para lavar Eu vejo que tive pão em minha mesa E os momentos de tristeza Serão por certo menos significativos Que os momentos de alegria Afinal, sentir é um atributo dos vivos.

Pele (Emanuel Galvão)

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* O coração?!... O símbolo do amor Ao contrário do que se imagina Deveria ser a pele Que ninguém sabe onde começa Ou onde termina A mesma que esticamos ao sol - melanina – Como num curtume Que cobrimos menos por pudor E mais por costume Onde ficam as cicatrizes Pele veste das meretrizes Mercadoras de amor... Pele símbolo de pureza Desde a eternidade A pele que membrana a virgindade Fonte de beleza Flor de liberdade Pele que é o amor do outro lado da rua Que não se atravessa Por mais que se tenha vontade Pele que repousa nua E que o vento passeia Sem pudor nem pressa Que assim feito o amor Ninguém sabe onde começa ou termina Misteriosa tela que não se descortina Onde se tatuam os desejos Arranham-se fantasias Tecido onde se enxugam os beijos Casca em que teço minha poesia E o vento insistente Despudorado abusa Membrana fina Que reveste o corpo de uma musa. Copyright © 2007 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Pintura de S. Marshennikov

Código (Emanuel Galvão)

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Coração diz umas coisas... Um código morse, feitos de tum-tuns Umas mudanças de brilho no olhar Tem que entender de amor pra decifrar Fala para todos Mas, só o entendem, alguns.

FEITO UM HOMEM (Emanuel Galvão)

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Eu sempre o notava Solitário e sério. Às vezes um sorriso cínico. Não sei se me amava. - Seu jeito tão etéreo - Só sei que me fitava E me deixava nua Cada vez que me olhava.

ENCHENTES E VAZANTES (Emanuel Galvão)

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Meu coração é uma rocha em frente ao mar Que rebenta em mim, e me faz bem e me faz mal Acentuando assim, essa sede de amar Entrego-me pois, as espumas da paixão

DOS EXCLUIDOS (Emanuel Galvão)

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Oh pátria minha! Mãe gentil Teu filho pede esmola Pede escola Pede pão Que voz horrível é essa? Será vossa? A voz que me diz... Não.

O QUERER (Emanuel Galvão)

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Mulher Como quisera beber da tua fonte Banhar-me na lubricidade do teu corpo E ver-me, assim, feito um menino No teu colo.