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Mostrando postagens que correspondem à pesquisa por Emanuel Galvão

14 de Maio (Lazzo Matumbi)

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No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver No dia 14 de maio, ninguém me deu bola Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver Nenhuma lição, não havia lugar na escola Pensaram que poderiam me fazer perder Mas minha alma resiste, meu corpo é de luta Eu sei o que é bom, e o que é bom também deve ser meu A coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa Eu sou o que sou, pois agora eu sei quem sou eu Será que deu pra entender a mensagem? Se ligue no Ilê Aiyê Se ligue no Ilê Aiyê Agora que você me vê Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Lazzo Matumbi 14 de Maio Congresso

Romance em Construção (Emanuel Galvão)

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Olhou aquela mulher como se fosse a única. Deixou de lado o medo e seu jeito tímido.  Parou defronte aquele ser belíssimo.  Tocou seus lindos lábios num beijo úmido. Ela surpreendeu-se com a atitude súbita.  Ficou, atordoada, eu diria que atônita.  Levou as mãos à face e ficou estática.  Seu rosto iluminou-se de um brilho pálido. Beijou-a novamente, firme, forte e rápido.  Antes que parecesse um ato patético.  O que de fato era um ato homérico. E quem observou achou até poético. Seus pés cambalearam e ficaram flácidos.  Mas o seu coração batia tão frenético.  Nunca imaginou ser beijada em público.  Queria parar, mas era hipnótico. Ele estava ali se sentido o máximo.  O que o assustava era um motivo estético.  E desistir então lhe parecia módico.  Os sentimentos puros que trazia tácito.  Então, declarou seu amor, fiel e impávido.  E a partir daí, deixou de ser, teórico. Copyright © 2015 by Emanuel Galvão All rights reserved. Elogio ao Desej

O Acendedor de Esperanças da Rua (Emanuel Galvão)

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Basta de verdades baratas.  Arrancai o ranço do coração!  As ruas são nossos pincéis  e paletas as nossas praças.  No livro do tempo  ainda não foram cantadas  as mil páginas da revolução. Para a rua, futuristas,  tambores e poetas!                                                                 Vladimir Maiakóvski  *Para Letícia Sabatella & Jonathan Silva La vem o acendedor de esperanças da rua Este mesmo que vem com sua inquietude, Seus sonhos, suas dores, a juntar-se a tua, A transformar, utopia e poesia, em atitude. Um, dois, três corações, acende e continua Outros mais a acender, inadvertidamente, A medida que as trevas, rasteira insinua Uma estupidez humana, viral e indecente. Triste ironia atroz que Jorge nos apresenta: O cordeiro inocente a apostar em lobos, Enquanto o covarde, da escolha, se isenta. A insídia do fascismo, se ergue e continua, Na ilusão do apelo patriótico e seus arroubos. Fez florescer, acendedores de corações

FLOR ATREVIDA - EDITORA QUADRIOFFICE/2007 (Adriana Moraes)

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Autor do Livro de poesia, Flor Atrevida, lançado na Bienal do Livro de 2007, o professor, artista visual, consultor em arte-educação, articulista e poeta Emanuel Galvão, apresenta ao cenário alagoano seus poemas inundados de cotidiano e beleza. Ousado como suas poesias, Emanuel nada contra a corrente de que livros de poesias não são bem aceitos pelo público, ou tem público restrito e lança seu livro/sonho, acalentado e escrito ao longo de 26 anos. Diante de tanta ousadia, como explicar a arte de Emanuel Lopes Ferreira Galvão? Emanuel Poeta, como é conhecido, nascido e criando em União dos Palmares, cria suas poesias, mergulhado nos universos a que se propõe tratar. Quando o universo é feminino, toda paixão vem à tona em uma torrente de sensualidade e sensibilidade. Exemplo disso é o poema Metáforas, onde o poeta nos toca de fato com as palavras. Uma das características mais marcantes de Emanuel é a captação da realidade reinventada, onde assume o papel do sedutor e do seduzido, ora

Elogio ao Desejo (Emanuel Galvão)

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A ansiedade toma conta do meu corpo... Espero que teus ditos machuquem minha alma ou provoque gozo. Não entendo a demora das palavras... Mas, acredito que ao ler-me... pretensiosamente teu membro responda, e o sêmen seja a tinta das tuas letras e apresente em mim  um desejo incontrolável de comer tuas frases  e de vê-lo.                                                 (S.L.) A tua nudez me fascina,  E ao ver-te nua de forma tão traquina, Lanço fora as vestes de minha timidez, Para escrever com lábios em tua linda tez. A lascívia, assim como o desejo Não convêm aos sábios... Prova então da língua, cheia de desejo, Louca e sem palavras, nos teus grandes E pequenos lábios. Quase sinto o gosto do verbo em carne viva Pois que paixão tentadora, voraz e tão lasciva Não tem que ter senso, tampouco pejo, Entrego então meu corpo, todo ao teu desejo. Ao ver-te nua... Visão do paraíso... Não sei se faço verso, trovo, improviso Eu, no entanto, emudeço, calo Não se

Os Leitores (Emanuel Galvão)

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Os tidos normais Leem com os olhos A paisagem pelas palavras Criadas Os cegos Leem com dedos E com bastante tato Percorrem os corpos das páginas De letras tatuadas Os surdos Leem as libras Os livros E os lábios Os emotivos Têm seus motivos Para lerem sinestesicamente Hão de concordar aos sábios Os malucos como eu Que a vida tanto inquieta No ofício de ser poeta Despretensiosamente Lê o que outro sente E os amantes Ao contrário das cartomantes Das quiromantes Leem além das cartas e das mãos O que não está oculto ao coração Algo que do corpo se revele Leem os desejos segredados... Em cada tipo de pele. Copyright © 2015 by Emanuel Galvão  All rights reserved. Elogio ao Desejo & Outras Palavras / Emanuel Galvão, Maceió - AL. - Quadrioffice Editora, Quatro Barras, PR, 2015. Pag. 36

Le Petit Poème Coquin (Parole: Emanuel Galvão / Traduction : Joseli Rêgo Lopes)

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Le Petit Poème Coquin  Je cherchais La poèsie Mais elle est allée jouer dans mon enfance Elle a joué le toupie dans mon clos Alors  je suis allé a la lumière De mon clos. Mais la poèsie coquine Elle a  volé tout ensemble a une cerf-volant et a  porté avec elle La parole – matière première -  Je ne comprenais pas pourquoi cette poésie- là était grande Et la mienne était petite J ‘ai bandé mes yeux et j ‘ai joué à la collin-maillard Parce que si je sentais la parole, la rime Je la prendrais tout de suite Mais la poèsie coquine Bien caché chez-moi Apportais les bruits de son attente -          Pour moi, ce n’est pas facile la trouver Ni la séduire, ni la captiver - Je l’ai cherché Mais elle a eu jouer à cache-cache Et je ne l’ai pas trouvé. Copyright © 2015 by Parole: Emanuel Galvão /  Traduction : Joseli Rêgo Lopes All rights reserved. Poeminha Traquino Eu procurei a poesia E tinha ela ido brincar na minha infância

Um Beijo a Distância (Emanuel Galvão)

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O que dizer de alguém inefável? Principalmente sendo esse ser, feminino. Que de modo intenso e amável Fez-me sentir: ora homem, ora menino. Seu gestual trazia tal sutileza Que meus olhos se iluminaram A visão de tanta beleza. Materializava-se como enlevo na natureza, Seu corpo nu, refletido no espelho. - o homem meu caro, é a circunstância! - Sua boca, vestida de vermelho, Mais parecia um beijo a distância. Eu que sou tão tímido E me escondo nos versos, na poesia Vi-me  tomado de uma libido De um frenesi, uma fantasia. Ela era uma mulher. A mulher: Que se deseja, que se sonha, que se quer. Há de se convir Que estar nu, vai mais além Que se despir! Já que vos pus cientes das particularidades Dar-vos-eis conhecer das intimidades. - Um pouco apenas, compreendam! - Era uma mulher para ser amada com ousadia Em seu ouvido eu sussurraria Palavras cuja paixão inflama Por onde, não se surpreendam, Eu começaria A beijar pelo pé da cama. Copyright © 2015 b

O GUERREIRO (Emanuel Galvão)

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Não existem derrotas nas batalhas O que há, são quedas provisórias As derrotas são vitória, ainda que falhas Ajudam a solidificar a nossa história.

PRA DIZER TUDO QUE SINTO (Emanuel Galvão)

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Guardei tantas frases pra te dar Pra te agradar Te impressionar Poder dizer tudo o quanto sinto

POEMINHA TRAQUINO (Emanuel Galvão)

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Eu procurei a poesia E tinha ela ido brincar na minha infância Tinha ido soltar pião no quintal Dirigi-me então para a claridade Do quintal

NU (Emanuel Galvão)

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                                     “ Disseram-me certa feita: a poesia é um crime perfeito.”                                                                                      Juliano Beck                                                Eu quero entrar em você Não metaforicamente Mais sim loucamente Como deve realmente ser E introduzir coisa mais firme Que essa minha conversa mole...

GEOGRAFIA (Emanuel Galvão)

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Porque sempre me acho perdido no teu corpo?

MOLHADA DE SUOR E DE DESEJO (Emanuel Galvão)

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Tu chegaste como a brisa Eu nem esperava por ti Mas tu me arrepiaste a pele Entraste pelos poros Quando me dei conta Ao amanhecer Já era toda tua E me olhava nua Eu ainda tonta Molhada de suor e de desejo Implorei pelo teu beijo. (Emanuel Galvão - Livro Flor Atrevida - Quadrioffice/2007)

Eu abro a janela e vejo a vida bela (Emanuel Galvão)

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Para D. Liége 'Penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.' Rubem Braga Eu abro a janela E vejo a vida bela Eu vejo muito a além das necessidades - Um mundo de possibilidades – Mais que louças para lavar Eu vejo que tive pão em minha mesa E os momentos de tristeza Serão por certo menos significativos Que os momentos de alegria Afinal, sentir é um atributo dos vivos.

Pele (Emanuel Galvão)

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* O coração?!... O símbolo do amor Ao contrário do que se imagina Deveria ser a pele Que ninguém sabe onde começa Ou onde termina A mesma que esticamos ao sol - melanina – Como num curtume Que cobrimos menos por pudor E mais por costume Onde ficam as cicatrizes Pele veste das meretrizes Mercadoras de amor... Pele símbolo de pureza Desde a eternidade A pele que membrana a virgindade Fonte de beleza Flor de liberdade Pele que é o amor do outro lado da rua Que não se atravessa Por mais que se tenha vontade Pele que repousa nua E que o vento passeia Sem pudor nem pressa Que assim feito o amor Ninguém sabe onde começa ou termina Misteriosa tela que não se descortina Onde se tatuam os desejos Arranham-se fantasias Tecido onde se enxugam os beijos Casca em que teço minha poesia E o vento insistente Despudorado abusa Membrana fina Que reveste o corpo de uma musa. Copyright © 2007 by Emanuel Galvão All rights reserved. *Pintura de S. Marshennikov

Código (Emanuel Galvão)

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Coração diz umas coisas... Um código morse, feitos de tum-tuns Umas mudanças de brilho no olhar Tem que entender de amor pra decifrar Fala para todos Mas, só o entendem, alguns.

FEITO UM HOMEM (Emanuel Galvão)

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Eu sempre o notava Solitário e sério. Às vezes um sorriso cínico. Não sei se me amava. - Seu jeito tão etéreo - Só sei que me fitava E me deixava nua Cada vez que me olhava.

ENCHENTES E VAZANTES (Emanuel Galvão)

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Meu coração é uma rocha em frente ao mar Que rebenta em mim, e me faz bem e me faz mal Acentuando assim, essa sede de amar Entrego-me pois, as espumas da paixão

DOS EXCLUIDOS (Emanuel Galvão)

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Oh pátria minha! Mãe gentil Teu filho pede esmola Pede escola Pede pão Que voz horrível é essa? Será vossa? A voz que me diz... Não.

O QUERER (Emanuel Galvão)

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Mulher Como quisera beber da tua fonte Banhar-me na lubricidade do teu corpo E ver-me, assim, feito um menino No teu colo.