Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Os Leitores (Emanuel Galvão)



Os tidos normais
Leem com os olhos
A paisagem pelas palavras
Criadas

Os cegos
Leem com dedos
E com bastante tato
Percorrem os corpos das páginas
De letras tatuadas

Os surdos
Leem as libras
Os livros
E os lábios

Os emotivos
Têm seus motivos
Para lerem sinestesicamente
Hão de concordar aos sábios

Os malucos como eu
Que a vida tanto inquieta
No ofício de ser poeta
Despretensiosamente
Lê o que outro sente

E os amantes
Ao contrário das cartomantes
Das quiromantes
Leem além das cartas e das mãos
O que não está oculto ao coração
Algo que do corpo se revele
Leem os desejos segredados...
Em cada tipo de pele.


Copyright © 2015 by Emanuel Galvão 
All rights reserved.

Elogio ao Desejo & Outras Palavras / Emanuel Galvão,
Maceió - AL. - Quadrioffice Editora, Quatro Barras, PR, 2015.
Pag. 36

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