Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

ENCHENTES E VAZANTES (Emanuel Galvão)



Meu coração é uma rocha em frente ao mar
Que rebenta em mim, e me faz bem e me faz mal
Acentuando assim, essa sede de amar
Entrego-me pois, as espumas da paixão
Esse conjunto de pequenas bolhas
Que como surgem desaparecerão
Porque essas ondas transformam a rocha em sal
Que são lágrimas de rebentação.

Meu corpo é a areia dessa praia apaixonada
À espera das enchentes da maré
Para sentir teu peso novamente
Tua ousadia, tua fúria desordenada
O som dos uis, o som dos ais
O vai e vem dos teus movimentos sensuais
Lembrados com saudades, porque já me são vazantes
E vós que navegais a esmo nesses versos
Compreendereis melhor se fordes amantes
As enchentes e vazantes, que unem e separam
Os casais.

Mas qual o coração de pedra que é forte
Contra o mar e seu arpoador?
Pois a paixão é canto de sereia
Meu coração é de pedra, meu corpo areia...
Se acaso sois o mar
Peço-vos por favor, deixa que eu suporte
O peso, o sonho, a sorte
De ser inundado por tão lúbrico amor.

opyright © 2007 by Emanuel Galvão
All rights reserved.


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