Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

E "Ô" ou "O" (Ricardo Mello)




Se fecha bem é catota
Se abre então é patota
De novo e aperta e é gota
Outra vez solta e faz bota

As letras mudam de som
Tem muitos tons nossa voz
Seja fechada ou aberta
Elas só partem de nós



Fechou e pronto é agosto
Retorna a abrir já é aposta
De novo tranca está posto
Volta a expandir e se gosta

Podia usar um chapéu
Este nosso "O" querido
Quando quisesse se "Ô"
Livrava o mal-entendido

Garota,capota, raposa
Marota, paçoca, esposa

Brincadeiras com as palavras
Sopas de letras amigas
Alimentam nossas almas
Mas não as nossas barrigas


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