Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

TRANSPARENTES VISÕES (Ronaldo Bello)




De repente paro...
E fico a olhar uma pequena janela,
Onde vejo um rosto desfigurado
e sem ânimo até para sorrir.

O rosto me pareceu de um herói,
vencido pelas barreiras e pelos obstáculos
que não conseguiu pular,
e se deu por vencido.

Os cabelos, os olhos e a boca,
me pareceram de palhaço,
de um palhaço sem graça
que abandonou o picadeiro
por não saber mais oque fazer
para ele mesmo rir.

Mas ele me olhava nos olhos...
E eu vi que ele tentava dizer-me:
Que era preciso sorrir, vencer as barreiras
e os obstáculos,
não se dar por vencido.
De repente eu vejo dos seus olhos,
duas lágrimas caírem.
E volto a mim.
Percebo que não estou diante de uma janela,
e sim, diante do espelho do meu quarto.


Copyright © 2013 by Ronaldo Bello
All rights reserved.



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