Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

LÍNGUA (Emanuel Galvão)



Quisera fazer versos
Como quem com ardor
Beija uma mesma boca
Buscando obter da mesma língua
Novos e singulares universos.
A fúria das palavras nunca ditas
Aquelas que vivem ainda à míngua
De não ter chegado sua vez
E por se encontrar tal qual sobejo
Sonham assim aflitas
Como lábios que procuram com avidez
Sabores diferentes em cada novo beijo.

Quisera, pois, beijar tua boca
Pensando ser sempre a primazia.
Para quando dispor da mesma língua
Sentir afim, novo desejo
Criar enfim, nova poesia.


Copyright © 2007 by Emanuel Galvão
All rights reserved.



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