Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

CORSÁRIO (João Bosco, Aldir Blanc)




Meu coração tropical
Está coberto de neve


Mas
Ferve em seu cofre gelado
A voz vibra
E a mão escreve
Mar
Bendita lâmina grave que
Fere a parede
E traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio
E o cais

Roserais
Nova granada de espanha
Por você
Eu teu corsário preso
Vou partir
A geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar
Me arrastar até o mar
Procurar o mar

Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo
E irá
Como as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar
Nova granada de espanha
E as rosas partindo o ar




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