SERRA DA BARRIGA (Rosimeire Bernado)


Desprendo de mim e ouço
as fortes pisadas nas folhas secas.
Será um negro cansado fugindo do branco?
Ou serei eu, fugindo do descuido humano?
Mundaú quase não te lambe, Serra.
Mundaú está morrendo.

Daqui de cima o vejo
correndo devagar, sem forças
com os ossos que se mostram
sem nenhum pudor.
Cuidado Serra!
As canas que te beijam
podem te engolir.
Cuidado serra!
Os animais que pensam
podem te desmatar.
Negro que lutou
para viver em liberdade
teus descendentes lutam
para se libertar da ganância
dos novos senhores de engenho.
Oh liberdade quase conquistada!
Não se afasta!
Não quero a liberdade amanhã.
QUERO SER LIVRE HOJE. —


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