SERRA DA BARRIGA (Rosimeire Bernado)



Desprendo de mim e ouço 
as fortes pisadas nas folhas secas. 
Será um negro cansado fugindo do branco? 
Ou serei eu, fugindo do descuido humano? 
Mundaú quase não te lambe, Serra. 
Mundaú está morrendo. 


Daqui de cima o vejo 
correndo devagar, sem forças 
com os ossos que se mostram 
sem nenhum pudor. 
Cuidado Serra! 
As canas que te beijam 
podem te engolir. 
Cuidado serra! 
Os animais que pensam 
podem te desmatar. 
Negro que lutou 
para viver em liberdade 
teus descendentes lutam 
para se libertar da ganância 
dos novos senhores de engenho. 
Oh liberdade quase conquistada! 
Não se afasta! 
Não quero a liberdade amanhã. 
QUERO SER LIVRE HOJE. —

Copyright © 2013 by Rosimeire Bernado
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