Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Canto e Palavra (Affonso Romano de Sant'Anna / Eliezer Setton)

Foto: Lícia Peixoto

Todo homem é vário.
Vário e múltiplo. Eu sou
menos:  Sou duplo
e me contento com o que sou.

Sou primeiro o canto
e o que cantou
e só depois – palavra
e o que falou.

Quereis saber
como eu faço
ou de mim como eu quero?
É fácil:...

Difícil é demarcar
o limite, o dia, o instante
em que o homem
de seu canto se destaca,
em que o homem se desfaz...

Em que o homem
se destaca e se desfaz...
Em que o homem...
Todo homem...


Todo homem é vário.

Vário e múltiplo.





                                                                                          

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