Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

A Noite Reinventada ( Francisco Valois)



A noite se reinventa e a lua tece,
na transparência azul do céu tarjado,
a lírica canção de amor que, em prece,
o vento me segreda.  Deslumbrado,


no olhar retenho a rosa que floresce
na quietude do campo serenado
e sugere um valeiro que alvorece
na solidão do porto abandonado;

e nessa solidão que o porto habita,
onde a maré vazante não se agita
exila-se a saudade primitiva:

- o gesto de um adeus acontecido
remanesce no olhar entardecido,
como sombra lunática, opressiva.


(Livro A Noite Reinventada Pg 17 - Edições Catavento)

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