Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Tempo e Movimento (Cavalcanti Barros)



Viajor-comando, faz-me o pensamento.
No sideral levito espaço em fora.
Além postado, o conhecer, embora,
em vão me ajude o parco entendimento.

Marcar-me encontro, aqui, no sempre-agora.
Olhar a Terra e Sol em movimento.
Sentir no Cosmos um único momento.
Não ver o tempo no pulsar da hora.

Juntar extremos em só flagrante:
Vida e morte da terra, num instante
(ver a primeira e a última explosão).

E sob o olhar de Deus, sorrindo ao lado,
um micro-ship atento e emocionado
programando um robô chamado Adão.

(Livro Tempo de Agora, pg 27)

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