Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

BOMBEIRO (Anônimo)




Não há neve nem vento,
Não há calor nem frio,
Não se pode perder tempo
Quando há vidas por um fio.
Do lado de fora do nada,
Um crer infinito se sente,
Troca-se uma boa esplanada,
Quando salvar é urgente.
Oh homens sem medo!
Oh gente destemida e ousada!
Porque vos apontam o dedo
Quando o que recebeis é nada?
Sentem aquele grito lancinante,
Deixam tudo para trás,
Sem vacilar um instante,
Travam sempre batalhas pela paz.
O infortúnio é a sua direcção,
Lá está alguém que nunca deles se lembrou,
É sempre nada o que se perde,
O que importa é o que se ganhou.
O sonho que os invade é servir,
O espírito que os anima é agir,
Não há raças nem credos,
Querem ver alguém sorrir.
Imponente este edifício,
Pequeno o seu poder,
Salvar é dever de “ofício”,
Ainda que tenha de morrer.
Não procuram notoriedade,
No socorro são sempre os primeiros,
Despidos de toda a vaidade,
Estes SERES são BOMBEIROS.

Assinalando a data, um bombeiro, que solicitou o anonimato, presta aqui a sua homenagem, com o poema abaixo publicado, a todos os bombeiros com farda e sem ela, na ativa e os já falecidos.

*texto retirado do blog http://bombeirodedeus.blogs.sapo.pt/




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