Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Namoro (Emanuel Galvão)



Nesse meu ofício
de casar palavras,
fica um tanto difícil
casar, sem promover
o namoro.

Para escrever
eu quase que devoro,
livros, letras, lugares,
pessoas, poesias, pomares
e como trama os enlaço
sem nem pensar no cansaço,
pra promover o encontro,
com carinho e com decôro
às vezes ao dicionário
peço urgente socorro.

Juntar letra com letra,
sílaba com sílaba,
pra fazer uma oração,
com sujeito e predicado,
não há mesmo quem consiga,
sem verbo, sem coração
e um pouquinho de cuidado.
Pra fazer essa união
tem que estar enamorado!

Para que o escrito prossiga,
palavra com palavra,
pra elas se amasiarem...
não há mesmo quem consiga,
sem o aconchego do namoro,
pra só depois, se casarem.

Para quem agora tá amando
ou pra qualquer conquistador:
Romântico, cético, desconfiado...
- entre as palavras -
Vejam só que curioso!
Amigado, ficando,
enrolado, amancebado,
e até mesmo casado...
- Não tem birra,
não tem choro -
Só encontrei amor
Na palavra nAMORo!


Copyright © 2015 by Emanuel Galvão
All rights reserved.


Do Livro Elogio ao Desejos & Outras Palavras 
(pagina 58 - 2015 - Editora Quadrioffice)

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