Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

A Voz do Solo (Italmar Lamenha de Albertim)




Queima sol,
Esse chão sofredor;
Sopra vento,
Pra aliviar minha dor.

Já não sei a que vim,
Se nada produzo ou crio...
Será castigo pra mim,
Ou apenas desafio?

Não chores tanto menina,
Não tenhas mágoa de mim;
Tua vaquinha morreu?
Foi Deus que quis assim.

Não tenho culpa da fome
Que matou tua malhada;
A árvore também está triste,
Porque está desfolhada.

Se matar a minha sede
Tua lágrima pudesse,
Viveria na fartura
Quem tanto hoje padece.

Vamos ter fé no Pai
Que criou o universo;
Que Ele entenda e perdoe
O meu desabafo em verso.



Copyright © 2018 by Italmar Lamenha de Albertim
All rights reserved.

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