A Noite Reinventada ( Francisco Valois)



A noite se reinventa e a lua tece,
na transparência azul do céu tarjado,
a lírica canção de amor que, em prece,
o vento me segreda.  Deslumbrado,


no olhar retenho a rosa que floresce
na quietude do campo serenado
e sugere um valeiro que alvorece
na solidão do porto abandonado;

e nessa solidão que o porto habita,
onde a maré vazante não se agita
exila-se a saudade primitiva:

- o gesto de um adeus acontecido
remanesce no olhar entardecido,
como sombra lunática, opressiva.


(Livro A Noite Reinventada Pg 17 - Edições Catavento)

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