As Máscaras (Menotti del Picchia)

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  O teu beijo é tão doce, Arlequim... O teu sonho é tão manso, Pierrô... Pudesse eu repartir-me encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo... e a Pierrô, minha alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrô tristonho, pois um dá-me prazer, o outro dá-me o sonho! Nessa duplicidade o amor todo se encerra: Um me fala do céu...outro fala da terra! Eu amo, porque amar é variar e , em verdade, toda razão do amor está na variedade... Penso que morreria o desejo da gente se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente. Porque a história do amor só pode se escrever assim: Um sonho de Pierrô E um beijo de Arlequim! ---------------------------------------------------------------- Pierrot, Colombina e Arlequim são personagens da Commedia dell'Arte , um teatro popular italiano, que formam um triângulo amoroso clássico. Pierrot é o serviçal triste e apaixonado por Colombina, mas que tem seu amor não correspondido; Arlequim é o malandro e esperto que conquista a Colombina, ...

PAPEL RECICLADO DE AMOR E VIDA (Emanuel Galvão)


Quando desesperadamente corpos
Sobre corpos a se esfregar
Num balé, sensual e embriagador
Produz prazer e gozo
E conduz a paz desinibida
A forma mais primitiva do amor.
Então silenciai: aí há vida.


Quando heróis minúsculos
Numa corrida são lançados
E nela, só pode haver um vencedor
Seguem como que, apaixonados
Para o óvulo em busca de acolhida
Para conceber o fruto do amor.
Então silenciai: aí há vida.

Quando de dores para a luz
Uma mulher transpira ofegante
E ninguém pode supor a sua dor
Sorrir ao ver seu filho
Que dela é parte dividida
Para compor outra história de amor.
Então silenciai: aí há vida.

Quando crescer e multiplicar
Não mais justificar
O mundo dilacerador
E ajuntar-se a outros homens em luta
Para criar e transformar na lida
Uma nação mais cheia de amor.
Então silenciai: aí há vida.

Quando seu coração
Como outro qualquer se apaixonar
De fato e forma e encanto tentador
E não puderes resistir à poesia
À flor, à música e à alegria concebida
Pelo fato inusitado do amor.
Então silenciai: aí há vida.

Quando o tempo imperdoável
Chamar-te a cumprir
O ritual amargo e desolador
Sentires que sobressaíste em teu papel
Conduta esta, resumida:
Em dar de ti em teus esforços de amor.
Então silenciai: aí há vida.


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