Quando
desesperadamente corpos
Sobre
corpos a se esfregar
Num
balé, sensual e embriagador
Produz
prazer e gozo
E
conduz a paz desinibida
A
forma mais primitiva do amor.
Então
silenciai: aí há vida.
Quando
heróis minúsculos
Numa
corrida são lançados
E
nela, só pode haver um vencedor
Seguem
como que, apaixonados
Para
o óvulo em busca de acolhida
Para
conceber o fruto do amor.
Então
silenciai: aí há vida.
Quando
de dores para a luz
Uma
mulher transpira ofegante
E
ninguém pode supor a sua dor
Sorrir
ao ver seu filho
Que
dela é parte dividida
Para
compor outra história de amor.
Então
silenciai: aí há vida.
Quando
crescer e multiplicar
Não
mais justificar
O
mundo dilacerador
E
ajuntar-se a outros homens em luta
Para
criar e transformar na lida
Uma
nação mais cheia de amor.
Então silenciai: aí há
vida.
Quando
seu coração
Como
outro qualquer se apaixonar
De
fato e forma e encanto tentador
E
não puderes resistir à poesia
À
flor, à música e à alegria concebida
Pelo
fato inusitado do amor.
Então
silenciai: aí há vida.
Quando
o tempo imperdoável
Chamar-te
a cumprir
O
ritual amargo e desolador
Sentires
que sobressaíste em teu papel
Conduta
esta, resumida:
Em
dar de ti em teus esforços de amor.
Então silenciai: aí há vida.
Copyright © 2007 by Emanuel Galvão
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