o nosso Deus corrige o mundo pelo seu dominamento seio que a terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder]
A terra deu, a terra da, a terra cria Home, a terra cria, a terra deu, a terra há A terra voga, a terra dá o que tirar A terra acaba com a toda a mal alegria A terra acaba com os sete que a terra cria
Nascendo em cima da terra, nessa terra há de viver Vivendo na terra, que essa há de comer Tudo o que vive nessa terra, pra essa terra é alimento
Deus corrige o mundo pelo seu dominamento A Terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder] o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento seio que a terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder]
Porque no céu a gente vê uma estrelinha Aquela estrela nasce e se põe ás seis horas Quando é de manhã aquela estrela vai embora Tem uma maior e tem outra mais miudinha Tem uma acesa outra mais apagadinha
seis horas da noite é que pega à aparecer Quando é de manhãzinha ela torna a se esconder Só de noite ela brilha em cima do firmamento
Porque Deus corrige o mundo pelo seu dominamento A Terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder] o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento seio que a terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder]
O homem planta um rebolinho de maniva Aquela maniva com dez dia tá inchada Começa a nascer aquela folha orvalhada Ali vai se criando aquela obra positiva muito esverdeada, muito linda e muito viva Embaixo cria uma batata que engorda e faz crescer Aquilo da farinha pra todo mundo comer E para toda craitura vai servir de alimento
Deus corrige o mundo pelo seu dominamento A Terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder] o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento seio que a terra gira com o seu grande poder [grande poder, com o seu grande poder]
Se quiser plantar saudade Escalde bem a semente Plante num lugar bem seco Onde o sol seja bem quente Pois se plantar no molhado Quando crescer mata gente
O Beijo de Gustav Klint (fragmento) Eu acho que os beijos são dados na boca porque é onde brotam as palavras. Se eu te beijasses a ponta dos dedos, estaria buscando uma carícia; se te beijasse a sola do sapato, estaria buscando um caminho. Se te beijasse as pálpebras enquanto dormes, estaria pedindo permissão para entrar nos teus sonhos, mas estou te beijando os lábios, porque quero ouvir minhas palavras saírem de ti, outra vez. Se te beijasse a planta dos pés, buscaria um passo em falso. Se te beijasse a parte interna do cotovelo, buscaria teus esconderijos. Se te beijasse a sombra, não saberia o que busco, mas estaria tão perto. Se te buscasse essa noite, beijaria cada estranho até te encontrar. Outra vez. Se eu te beijasse, seria como algo escorregadio sobre uma tela de carne que transborda e se espalha pelas vigas da minha casa. Subiria escorregadia por um muro, separando a pele da carne que se injeta em uma estrutura impessoal chamada nome. Estaria consumida antes mesmo de abrir ...
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os p...
Eu vinha de Canindé Com sono e muito cansado Quando vi, perto da estrada Um juazeiro copado. Subi, armei minha rede, Fiquei nele deitado. Como a noite estava linda Procurei ver o cruzeiro, Mas cansado como estava Peguei no sono ligeiro, Só acordei com os gritos Debaixo do juazeiro. Quando olhei para baixo Eu vi um porco falando, Um cachorro e uma cobra E um burro reclamando, Um rato e um morcego E uma vaca escutando. O porco dizia assim: -“Pelas barbas do capeta! Se nós ficarmos parados A coisa vai ficar preta... Do jeito que o homem vai Vai acabar o planeta. Já sujaram os sete mares Do Atlântico ao mar Egeu, As florestas estão capengas, Os rios da cor de breu E ainda por cima dizem Que o seboso sou eu. Os bichos bateram palmas, O porco deu com a mão, O rato se levantou E disse: – “Prestem atenção, Eu também já não suporto Ser chamado de ladrão. O homem, sim, mente e rouba, Vende a honra, compra o nome. Nós só pegamos a sobra Daqu...
O meu menino é assim: Sincero Pelo menos é o que espero Quando ele me diz coisas que qualquer mulher gosta de ouvir Quando me beija a pele, começa sempre pela boca E pra me deixar completamente louca Percorre todo resto como um explorador em terra nunca vista Consegue ser o meu amor Carinhoso e detalhista Em partes tão escondidas, tão sensíveis que me fazem rir Sabe meu canto predileto Cínico Que conhecendo perfeitamente a geografia do meu corpo Perde-se nele por completo Pra poder redescobrir Fingir que é novidade.... Nem sei se é por maldade Que ele age assim Pra poder me deixar com saudade Dessa masculinidade que brinca Feito criança E me faz ter esperança De tê-lo sempre pra mim. (Emanuel Galvão - Livro Flor Atrevida - Quadrioffice/2007)
Esses dias tinha um moleque na quebrada com uma arma de quase 400 páginas na mão. Uma minas cheirando prosa, uns acendendo poesia. Um cara sem nike no pé indo para o trampo com o zóio vermelho de tanto ler no ônibus.
Deus pede estrita conta de meu tempo. E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. Mas, como dar, sem tempo, tanta conta Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
Alguém já me havia dito que a vida é bem representada pelo aparelho que fica ao lado do leito dos pacientes, principalmente os da UTI. Aquele que faz um sobe-desce e determina o ritmo do coração, um gráfico para dizer a quantas anda nosso batimento cardíaco. A vida tem seus altos e baixos, vejam, suas árduas subidas e os santos ajudando ladeira a baixo, como diz o ditado. Naquele aparelho o que não se quer é uma linha reta, horizontal a sinalizar que descansamos. E na batalha da vida, pela vida e com a vida, os amores. Esses que também tem aclives e declives e podem ser difíceis para alguns, como estas palavras. Afinal, a vida não é para amadores. E eu direi: a vida é para amantes. Esses que de conversa em conversa, vão alimentado de saudades um relacionamento, esses temperados com sorrisos, carinhos e gentilezas. São esses amores silenciosos, com meno...
“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer.
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