Quero decifrar sua língua
Não sua palavra
Um beijo pode dizer tudo
E mesmo assim
As insidiosas palavras
rompem o silêncio
Trazendo à tona a
fragilidade dos significados
Enquanto eu quero saber
Dos novos universos
Que habitam o céu
Cada estrela é uma viagem
E a cada paisagem
Pousar meus versos
Em nova linguagem
Em mundos diferentes.
Minha língua é espaçonave
Beijo e perco a gravidade
E bem leve escrevo o que
desejo
Conquisto a liberdade
De tirar os pés do chão
Desafiar realidades
Correr riscos
-andar na contramão-
Eis que estou disposto
Da língua mais que as palavras
Sentir seu gosto.
Eu quero é te amar
Sem precisar dizer “eu te
amo”
Pra ter que se acreditar
Mas quero sim dizer
sempre o que sinto
Ou aquilo que o coração não
consegue calar
Porque minha atração por
você
Não é meramente física
Tem toda uma química
-a da pele-
Em tua bela geografia
Aprender e ensinar
Outra filosofia
Construindo a nossa
história
Com recorte de alegrias
E ir colando direitinho
Com a cola do carinho
No papel da atenção
Para que os corações
fragmentados
Dos eternos namorados
Tenham-no sempre em
inspiração.
Vamos fugir das
estatísticas
Dos amores matemáticos
Complicados demais, cheios
de problemas
Dividindo pouco,
subtraindo sempre
Ou às vezes nem sub!
–traindo-
Multiplicando os problemas
Somando decepções
E o resultado igual: a
machucados corações
Quero mergulhar nas
matérias mais artísticas
As humanas são mais amenas
Que as minhas declarações
de amor baby
Sejam sempre em bom – e às
vezes até errado-
português
Eu quero é ser diferente
Sem deixar de ser igual
E quero pintar o sete
Sete dias por semana
Quatro semanas no mês
Não quero mais o engano
Eu quero é passar de ano
E não deixar passar o
ano.
Ser feliz – mais que
contente-
Desenhar a vida que se
quer e sente
E o sonho que se deseja.
Meu bem
Em qualquer idioma
“quem tem boca vai a
Roma”
Vai mais além
E beija.
Copyright © 2007 by Emanuel Galvão
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