Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

Velha manjedoura (Luciano Barbosa)



 Noite fria e escura; céu tão triste.
Tanto silêncio: as ruas estão de luto,
A lua e estrelas lançam um brilho bruto,
Quase parece que o viver não existe.


O vento nada tinha de contente.
As árvores, quietas, pareciam mortas.
Das casas quase não se vêem as portas
Pela falta de luz em sua frente.

Quanta paz, quanta treva, quanta esperança;
Palhas amontoadas tornam-se leito,
Tudo no mais sublime amor e feito,
Para a chegada da Vida e da Bonança.

Tão Rico, mas por nos amar, fez-se pobre;
Por ser luz, foi melhor nascer nas trevas;
Um Rei nascido sobre secas ervas;
Velha manjedoura, que local tão nobre


Que rude local: escuro e de oculta ternura,
Esquecido pelo riso, sujo e apertado.
Meu coração é tão qual assemelhado,
Espera essa Luz Eternamente pura.



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