Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Velha manjedoura (Luciano Barbosa)



 Noite fria e escura; céu tão triste.
Tanto silêncio: as ruas estão de luto,
A lua e estrelas lançam um brilho bruto,
Quase parece que o viver não existe.


O vento nada tinha de contente.
As árvores, quietas, pareciam mortas.
Das casas quase não se vêem as portas
Pela falta de luz em sua frente.

Quanta paz, quanta treva, quanta esperança;
Palhas amontoadas tornam-se leito,
Tudo no mais sublime amor e feito,
Para a chegada da Vida e da Bonança.

Tão Rico, mas por nos amar, fez-se pobre;
Por ser luz, foi melhor nascer nas trevas;
Um Rei nascido sobre secas ervas;
Velha manjedoura, que local tão nobre


Que rude local: escuro e de oculta ternura,
Esquecido pelo riso, sujo e apertado.
Meu coração é tão qual assemelhado,
Espera essa Luz Eternamente pura.



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