"Recordo ainda…" (Mario Quintana)



VIII

(Para Dyonelio Machado)

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…


Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…


Estrada afora após segui… Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iluda o velho que aqui vai:


Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!


(A rua dos cataventos. Coleção Mario Quintana. 2a. edição. 6a. reimpressão. São Paulo: Globo, 2005. p. 26)


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