Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

AS HORAS (Luana Tavares)




Sigo sem saborear as horas
À procura de algum lugar
Um lugar dentro de mim
Um lugar fora de mim
Onde possa te encontrar


Paro no meio da noite
E a estrada não tem fim
Sigo no silêncio sem a tua mão
Caminho pelo avesso
Tua voz na contramão

Sigo sem poder sobrestar
Paro sem que possa prosseguir
Mais uma noite incompleta
O dia amanhece e o sangue corre

Escorre ácido onde você não está
Deve haver um lugar
Que você não vai estar
Dentro ou fora de mim

O sangue seco é caminho seguro
Por onde sigo sorrindo no escuro
Sei que aqui teus passos rasgaram
As rosas que sangram sem misericórdia

Sigo o sangue seco das rosas
Paro em algum lugar
Dentro ou fora de mim
Toda hora é hora de te reencontrar

É tua voz outra vez na contramão
Dou de cara com o abismo alucinado
Ele quer me devorar, já passou da hora
Sinto muito, já passou da hora
Os olhos da moça bem de leve me tragaram.

Sigo sem saborear o compasso
de prazer de cada hora
Passo sem poder te olhar,
dou de cara com o futuro
Salto para dentro do presente
No teu riso quase lindo
Deve haver algum lugar
Em que você não vai estar
Não sei se dentro ou fora de mim

E a noite já se finda, salto sobre o fogo
Me abrigo na saudade do que já não há
Quer saber de fato o que sinto?
Dê de cara com um abismo
Entre então num labirinto

Sinta os fios da marionete
Ela pensa caminhar sozinha
Aí você decide mudar o ritmo do blues
Os fios soltam e de nada adiantou
Não vai andar...

Paro no tempo e o tempo não me para
Então, parta meu amor antes que me partas.
As nossas vidas curtas
Se juntas só terão triste fim

Teu beijo sempre foi um adeus anunciado
O fim sem começo
Minha boca, tua língua
É amor minha querida

Sigo sem poder sobrestar
Paro sem que possa prosseguir
Deve haver algum lugar
Que você não vai estar
Dentro ou fora de mim...

Copyright © 2013 by Luana Tavares
All rights reserved.

*Veja mais da autora aqui:

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