MEUS ESTIMADOS AMIGOS - DIA DO POETA (Emanuel Galvão)

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Para começar a semana Visitei meu amigo Mário Refiro-me ao Quintana E para meu poema  ficar danado de bom Parceria com Drummond Para ele não conter vícios Parceria com Vinicius E ser amigo do rei Nessa grande brincadeira Acompanhei Manuel Bandeira Também entre as pedras Cresceu minha poesia Cresceu com essa menina Grande Cora Coralina Poesia não precisa de motivo Basta ler em Ledo Ivo Quero iluminar de cima Acendendo lampiões Como fez Jorge de Lima Fazer um poema elegante Sofisticado, bacana Como faz o Afonso O Romano de Sant’anna Fazer poesia que arde Como faz Bruna Lombardi Não escrever coisa atoa Como fez Fernado Pessoa Fazer veros de quilate Como o Olavo Bilac Poema que seja casa Grande como uma mansão Como ergueu Gonzaga Leão Poema de morte e vida Severina vida sem teto Trabalhar no mesmo tema Faze grande o meu poema Como João Cabral de melo Neto Poema que a boca escarra E que escreve com a mão Que afaga e apedreja Sem flores e seus arranjos Como fez Augusto dos Anjos E na Can...

Antônio Preto (Geraldino Brasil)


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Nestes sonetos vos lembrar eu venho,
um dos heróis anônimos do norte.
O Antônio Preto que sorria à morte.
O Antônio Preto, domador do engenho.

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Domava potros... E na mente o tenho,
domando um potro impetuoso e forte.
Empolgante espetáculo, de sorte
que o prometer narrá-lo, é duro empenho.
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Montou. Como, eu não. E os seres broncos
em valas, tocos, entre espinho e troncos,
no descampado e após na capoeira...
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Horas inteiras cavaleiro e potro.
Um procurando dominar o outro,
ficaram entre nuvens de poeira...
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I I
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No engenho, aos dois, ninguém ficou alheio.
Homens e mulheres, velhos e crianças
e até minha mamãe compondo as tranças
que lhe caíam pelo casto seio,
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ao varandão da casa grande veio
e se agitaram as ovelhas mansas
e se agitaram porcos, gordas panças
roçando o chão da confusão em meio.
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Nenhum queria dar-se por vencido.
Mas quando à tarde, pássaro ferido,
o sol surgia ensanguentando a serra...
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Eu vi o potro manso e dominado...
E Antônio nesse, assim, olhado,
como se fosse o deus da minha terra.
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Geraldino Brasil (1926 - 1996), pseudônimo do poeta Geraldo Lopes Ferreira, nasceu no engenho Boa Alegria, município de Atalaia (AL). 



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