Poiesis (Glória Vara)

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 Poesia é quando a tarde tropeça no azul, e da queda nasce um verso  com cheiro de laranja e sombra de nuvem, que se escreve sozinho no guardanapo do vento. Poesia é quando o tempo esquece o relógio, e no miolo de um silêncio qualquer, brota uma palavra de asa curta, mas com coragem de voo. Poiesis é o instante em que a pedra decide florir, sem pressa, sem plano, só porque ouviu o sussurro da terra dizendo: “vai”. Copyright © 2026 by Glória Vara All rights reserved. Veja mais da autora aqui

Antônio Preto (Geraldino Brasil)


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Nestes sonetos vos lembrar eu venho,
um dos heróis anônimos do norte.
O Antônio Preto que sorria à morte.
O Antônio Preto, domador do engenho.

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Domava potros... E na mente o tenho,
domando um potro impetuoso e forte.
Empolgante espetáculo, de sorte
que o prometer narrá-lo, é duro empenho.
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Montou. Como, eu não. E os seres broncos
em valas, tocos, entre espinho e troncos,
no descampado e após na capoeira...
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Horas inteiras cavaleiro e potro.
Um procurando dominar o outro,
ficaram entre nuvens de poeira...
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I I
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No engenho, aos dois, ninguém ficou alheio.
Homens e mulheres, velhos e crianças
e até minha mamãe compondo as tranças
que lhe caíam pelo casto seio,
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ao varandão da casa grande veio
e se agitaram as ovelhas mansas
e se agitaram porcos, gordas panças
roçando o chão da confusão em meio.
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Nenhum queria dar-se por vencido.
Mas quando à tarde, pássaro ferido,
o sol surgia ensanguentando a serra...
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Eu vi o potro manso e dominado...
E Antônio nesse, assim, olhado,
como se fosse o deus da minha terra.
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Geraldino Brasil (1926 - 1996), pseudônimo do poeta Geraldo Lopes Ferreira, nasceu no engenho Boa Alegria, município de Atalaia (AL). 



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