Olhando o Mundo Com Pupilas de Poesia.

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 Apesar dos imprevistos que o cotidiano espalha pelo caminho como pedras súbitas, capazes de nos deter os passos e suspender o fôlego, eu permaneço. Com a mesma coragem indomável, com a ousadia que me acende por dentro, semeio utopias no escuro da terra e confio — há sempre um amanhecer à espera de quem insiste. Escolho olhar o mundo com pupilas de poesia: lentes invisíveis que transfiguram o peso em voo e o caos em constelação. É ela quem me sopra os segredos da magia e me ensina a atravessar abismos sem me perder de mim. Sobretudo nos dias em que o coração arde em silêncio, grita para dentro e nenhuma mão alcança, faço do próprio peito um farol aceso — e sigo, porque a esperança aprende comigo a nunca se apagar. Copyright © 2026 by Adriano Roberto Alves da Silva All rights reserved.

Acordo Pecado (Lelê Teles)



por que você quer que eu use vermelho?
pra te ver melhor

e por que às vezes insiste que eu use verde?
pra te ver de perto


e se eu me despir daquele vestido vinho?
eu me embriago de você


laranja?
te chupo de casca e tudo

ah, é? se acaso eu sair toda de preto?
eu morro de amores pra justificar o seu luto


de branco?
aí a gente não briga, hasteio você no meu mastro

posso usar cinza?
só depois que eu te fumar

de azul?
eu mergulho em você, profundamente

e com aquela sainha rosa?
eu te despetálo inteira em bem-me-queres

hummm, e se eu sair com aquele sapato napolitano?
eu lambo os seus pés, me derretendo

e com aquela blusinha com mangas?
eu nem espero amadurecer

e se eu mostrar as batatas das pernas?
batatas da perna, maçãs do rosto, peras dos seios, plantas dos pés... querida, eu sou vegetariano

há dias em que fico em vermelho-sangue
nesses dias eu te vampirizo

ódio! diga, por que insistes, por que me afliges, por que me feres?
preta, há dias que te quero. adias que me queres!




*veja mais do autor aqui:

 

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