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Mostrando postagens de Agosto, 2018

Caixa de Pandora (Emanuel Galvão)

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"...as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos  diante da melodiaou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma.  Pois o aroma é um irmão da respiração - ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas."
Trecho de O Perfume - Patrick Suskind
Eu sei ler teu corpo Não pense mal de mim Sou feiticeira sim Mas da porção do bem Me quer?
De Zeus  Com todo dote Sou mulher semelhante as deusas imortais Mulher com algo mais Assim me fez Hefesto Não digas que não presto Sou da porção do bem Me quer?
Se me quer, acredite O desejo indomável quem me deu foi Afrodite Prendada, feita para amar Ensinou-me em arte Atená Se tenho estas coisas que sei: Fere, arranha É que Hermes encheu-me O …

Delícia (Patricia Vieira)

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Sua alegria
É igual a melancia,
Quanto mais a gente come
Mais se delicia!

Copyright © 2018 by Patrícia Vieira
All rights reserved.


Brincadeira (Mírian Monte)

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Foi brincar de lua, Percebeu-se nua, Em meio às estrelas E conchas do mar
Umas maldiziam, Em tom de cochicho, O puro capricho De se revelar
Dela se queixavam, Outras, amiúde, Por sua atitude De se desnudar
E argumentavam Que não poderia Inspirar solfejos À brisa do mar
Mas a lua cheia Tão resplandecente Estava indiferente E decidiu brilhar
No fundo, sabia Que sua ousadia Só despertaria Sonhos de mudar
Que agradeceriam Em fase derradeira Pela brincadeira De iluminar.

Senhora dos Prazeres (Ronaldo de Andrade / Mácleim)

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Rainha de terra e mar
Senhora do azul do céu
Iara da Mundaú
Sereia das enseadas
Mãe d’água de Maceió
Sua graça é dos prazeres

Ó senhora das auroras
Estrela da madrugada
Que ilumina a cidade
Para dançar e tocarem
Bois e tambores nas ruas
De lá da Ponta da Terra
Te rendemos homenagens

Ó Iá da prosperidade
Mãe dos homens de fé
Jangadeiros, Trapicheiros
És também a flor do amor
Que adorna os terreiros
Encarnados da paixão
No Poço e no Jaraguá

Minha Mestra e Contra Mestra
Pastorinha do presépio
Diana do pastoril
Com manto faixa e coroa
E sete rosas na mão
Tanta graça, tanto mimo

Tá no badalar dos sinos
Nas torres perto de Deus
Da catedral onde moras
Ao brilho de sol e lua
Nos temporais e no estio
Encantai nossos cantores
Ó Senhora dos Prazeres.




MEU CHÃO: NORDESTE (Emanuel Galvão)

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Tanto mais me aproximo do meu chão Mais escuto no ar uma canção
Como hino trazido pelo vento
Que me faz lembrar todo momento
O torrão ardente que me deste
A brisa que sopra em meu nordeste.

Tanto mais me aproximo do meu chão
Mais me pego a fazer uma oração
Pra que nunca me esqueça dessa raiz
Que apesar de desprezado no país
Tem cultura bela e inconteste
Essa gente que habita o meu nordeste.

Tanto mais me aproximo do meu chão
Mais me arde no peito uma paixão
Um amor tão quente quanto o sol
Colorindo o céu num arrebol
Descansando seu brilho no oeste
Vai se pondo o sol do meu nordeste.

Tanto mais me aproximo do meu chão
Mais me dói essa perversa agressão
De que somos um povo ignorante
Que balança a cabeça a todo instante
Se não nos conhece, não se preste
A escarnecer assim do meu nordeste.

Tanto mais me aproximo do meu chão
Gonzaga, Padre Cicero, Lampião
Patativa do Assaré, “o inteligente”
Representam bem mais a minha gente
Não carece de aprovação lá do sudeste
Tem orgulho dos seus o me…

Estrangeirismo ( Carlos Silva / Sandra Regina)

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Outro dia, me convidaram para irmos ao MC DONALD’S, comermos CHEESE BURGER!...

O salão estava lotado e fizemos os pedidos através de um tal de... DRIVE THRU. Os colegas, percebendo a minha irritação, disseram:

-- Se tu tiver com pressa, eles têm um sistema de DELIVERY, maravilhoso!!!

Desacostumado com este linguajar, chamei os cabras:

- Vâmo s’imbóra!

Seguimos pela avenida HENRIQUE SCHAUMANN, onde pude observar um OUTDOOR. Estava escrito: CHINA IN BOX, e uma seta indicativa: PARKING. Nós não paramos por lá não.

Seguimos mais adiante, avistamos um restaurante bonito e luxuoso, e na porta de entrada, uma luz NEONpiscando escrita: OPEN.

Quando olhei pro chão, pude ver, estampado, um capacho com a bandeira americana, me convidando:WELLCOME.

Ao adentrarmos naquele recinto, eu pude observar, na sua decoração e nas paredes, que estava escrito assim:ICE CAKE, CHEESE EGG, CHEESE BURGER e FAST FOOD.

Eu pensei comigo: “FOOD" na Bahia a gente USA numa outra situação…

Do meu lado esquerdo, uma garota…

Elogio da Dialética (Bertolt Brecht)

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A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

*Foto Sebastião Salgado 

Hino à Negritude - Cântico à Africanidade Brasileira (Eduardo de Oliveira)

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I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a sol
Para o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, e…

Teste de Rorschach (Jürgen Von Felix)

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Eu, quem Sou?
Qual a minha Cor?
Se tenho Cabelo que parece novelo,
De lã, buchado, que do pente a Amizade não tem.
Se insisto em pentear
Sou um sem Caráter, dominado.
Se ouso afros penteados,
Sou Negrinho metido, mal criado!
Aqui no Brasil, tenho ascendência mil.
Vermelho, Branco e
Negro Sudão.
Mas sou visto como menos escuro
Como menos claro... Não!
Se dou certo e consigo Diploma
Dizem que é minha obrigação,
Pois "Negro tem que mostrar o seu valor".
Quando não logro êxito e
O Sistema vence,
Sou execrado, Açoitado, retorno ao terror!
E se em Batalhas o Brasil se envolver,
Adivinha quem nela primeiro vai morrer:
Pretinho;
Moreno;
Mulato;
Negão...
Estou no limbo das cores
no Arco-iris da exclusão.
Copyright © 2018 by Jorge Felix
All rights reserved.

Deu Branco - O Patético Dia Que a Coisa Ficou Preta - (Emanuel Galvão)

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A coisa ficou preta Pintou preconceito Isso eu não aceito Dentro da minha letra Que não tem cor Mas imprime o preto da tinta
Tem preconceito maior - Por favor, não minta! – Do que atribuir a cor preta A coisa ruim que se sinta? Talvez a borracha branca Apague a ideia nefasta Mas não afasta Mancha...
O preconceito racial existe Na letra, na vida, no verso Faz parte do universo De quem ama De quem odeia O preto reclama Por que sente na pele O preconceito que o rodeia
Pode parecer eufemismo Mas para mim é racismo Dizer que a coisa ta preta.

Copyright © 2018 by Emanuel Galvão
All rights reserved.




BEM DITO SEJA O AMOR (Marla de Queiroz)

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Bem dita seja a palavra Amor disparada pelo peito, que faz da ação o verbo pro sujeito, que estica a frase até compor a narrativa ou a canção. Bendito seja o amor que transforma o ínfimo em infinito, que traz a oração pro pensamento mais aflito, que apressa a atitude da intenção.

Bem dita seja a palavra Amor que faz do nome um mantra, transforma a saudade em esperança e traz dentro da carta a letra com a força do punho e o movimento da mão. Bendito seja o amor que encurta distâncias e suprime abismos, acolhe os sentimentos imprecisos e veste pensamento e gesto enquanto despe o coração.

Bendito seja o amor que só sendo fluido se solidifica, que só sendo livre se torna conquista, que só sendo ação se torna fato. Bem dita seja a palavra Amor que por ser tão viva, lúdica e lírica jamais será consumida pelo silêncio, só pelo ato.


*Texto publicado originalmente na Revista Vênus Digital

Um surdo manifesto: DA ALMA ENCANTADORA DAS RUAS AOS MOLEQUES ACOSTUMADOS COM SUCRILHOS NO PRATO - ou dos textos que poucos leem e muitos fingem não entender - (Juliano Beck)

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“Qual de vós já passou a noite em claro  ouvindo o segredo de cada rua?  Qual de vós já sentiu o mistério, o sono,  o vício, as ideias de cada bairro?  A alma da rua só é inteiramente sensível  a horas tardias." (João do Rio) 

Os usos que se faz da rua divergem.
Ao pobre a rua é uma extensão de si. Lhe invade o peito a brisa matutina quando ao labor se encaminha de bicicleta. Lhe toma por inteiro o cheiro virulento das povoadas horas do terminal meio-dia. Lhe afaga quando o fim de tarde lhe cai sob o dorso trazendo os matizes que não se dão por vencidos frente à inevitabilidade gris que a tudo concretiza. Há nisso uma noção de pertencimento, orgulhoso pertencimento. Tudo lhe foi tirado, arrancado, mas ele dispõe da rua! Por ela anda vagarosamente sentindo as entranhas de cada esquina. É dela que tira o seu sustento. Nela também se põe a ruminar a vida. E sorve um trago nas recônditas tabernas do centro. E nela perde a noção do tempo. E se encaminha a pé para casa (se a tiver) a senti…

Equalize (Pitty/Peu Souza)

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Às vezes se eu me distraio
Se eu não me vigio um instante
Me transporto pra perto de você
Já vi que não posso ficar tão solta
Me vem logo aquele cheiro
Que passa de você pra mim
Num fluxo perfeito

Enquanto você conversa e me beija
Ao mesmo tempo eu vejo
As suas cores no seu olho
Tão de perto

Me balanço devagar
Como quando você me embala
O ritmo rola fácil
Parece que foi ensaiado

E eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é
Eu vou equalizar você
Numa frequência que só a gente sabe
Eu te transformei nessa canção
Pra poder te gravar em mim

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar

E o tempo é só meu
E ninguém registra a cena
De repente vira um filme
To…

Prece Árabe (Texto traduzido do árabe por Seme Draibe)

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Deus, não consintas que eu seja
o carrasco que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes,
e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.

Meu Deus!
Se me deres a fortuna,
não me tires a felicidade;
se me deres a força,
não me tires a sensatez;
se me for dado prosperar,
não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas,
para não enxergar a traição dos adversários,
nem acusá-los com maior severidade do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória,
quando bem sucedido e nem desesperado quando sentir insucesso.

Lembra-me que a experiência de um fracasso
poderá proporcionar um progresso maior.

Ó Deus!
Faze-me sentir que o perdão é maior índice da força,
e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna,
deixe-me a esperança.
Se me faltar a beleza da saúde,
conforta-me com a graça da fé.

E quando me fer…